A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) lançou, na manhã desta quinta-feira (19), a Operação Falso Advogado — considerada a maior ação já realizada no país contra essa modalidade de fraude. O objetivo é desmontar uma organização criminosa especializada em obter ilegalmente credenciais de advogados para acessar processos judiciais eletrônicos e aplicar golpes nas partes envolvidas nas ações.
Foram expedidos ao todo 45 mandados judiciais — 20 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão — cumpridos em São Paulo, na capital, e em Praia Grande, no litoral paulista. Até o fechamento desta edição, 41 mandados já tinham sido executados, com a prisão de 14 integrantes do grupo. A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias, o sequestro de bens e o congelamento de imóveis dos investigados, medidas voltadas tanto à descapitalização da organização quanto ao ressarcimento das vítimas.
A operação foi coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) da PCDF e contou com o apoio da Polícia Civil de São Paulo. Cerca de 70 policiais foram mobilizados. Além do Distrito Federal, o esquema tinha ramificações em mais dez unidades da federação: São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Acre, Alagoas, Ceará e Roraima.
A organização operava com divisão estruturada de funções. Após a obtenção ilegal das credenciais de advogados cadastrados nos sistemas judiciais eletrônicos, os criminosos acessavam processos reais e coletavam dados detalhados tanto dos autos quanto das partes envolvidas. Com essas informações em mãos, se apresentavam às vítimas como os próprios advogados do caso e solicitavam o pagamento de supostas taxas e impostos, apresentados como indispensáveis para a conclusão dos processos.
O diferencial do golpe, que elevou sua taxa de sucesso, era justamente a verossimilhança: ao citar informações reais do processo da vítima, os criminosos criavam uma falsa sensação de legitimidade. “Por meio da análise de vestígios cibernéticos e financeiros, foi possível chegar à delimitação e identificação dos núcleos de atuação dentro desta organização criminosa”, explicou o delegado João Guilherme Carvalho, chefe da DRCC.
Os detidos responderão por estelionato qualificado por meio eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro — crimes que, somados, podem resultar em até 26 anos de reclusão.
O delegado João Guilherme recomenda atenção redobrada a qualquer contato inesperado por telefone ou redes sociais solicitando valores relacionados a processos judiciais. A orientação é encerrar imediatamente a conversa, não realizar nenhuma transferência e entrar em contato diretamente com o advogado de confiança — pessoalmente ou por canais previamente conhecidos — antes de tomar qualquer providência financeira.








