Partidos de esquerda acionam Conselho de Ética da Alesp após episódio de blackface de Fabiana Bolsonaro

março 19, 2026

Partidos de esquerda protocolaram representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro após o polêmico discurso que ela fez na tribuna da Casa criticando a escolha da deputada federal Érika Hilton para presidir a bancada feminina na Câmara. No ato, Fabiana pintou o rosto de preto — prática conhecida como blackface — como recurso para ilustrar sua fala, o que gerou reação imediata de parlamentares e movimentos sociais.

PT, PSOL, PSB e PCdoB estão entre os partidos que subscreveram a representação. Líderes petistas na Alesp também estudam medidas no âmbito criminal, apontando possível configuração de conduta racista e transfóbica no episódio.

Ainda assim, o clima entre os próprios signatários é de ceticismo quanto às reais perspectivas de avanço do processo. Dois deputados consultados de forma reservada avaliam que a composição do Conselho de Ética — com maioria de membros ligados ao centro e à direita — pode funcionar como obstáculo a qualquer punição efetiva da parlamentar.

O gesto de Fabiana Bolsonaro foi lido por aliados como uma tentativa deliberada de reproduzir a performance do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em 2023, Nikolas usou uma peruca loira durante sessão solene na Câmara dos Deputados em alusão ao Dia Internacional da Mulher e fez um discurso contrário à presença de mulheres trans em espaços femininos, argumentando que as mulheres estariam perdendo espaço para homens que se identificam como mulheres. O ato gerou grande repercussão nacional e foi amplamente celebrado pela base bolsonarista.

O episódio acende mais um foco de tensão política no ambiente legislativo paulista e escancara o racha em torno da representatividade de mulheres trans na política institucional — debate que promete se intensificar com a proximidade do calendário eleitoral de 2026.