Partidos de esquerda protocolaram representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro após o polêmico discurso que ela fez na tribuna da Casa criticando a escolha da deputada federal Érika Hilton para presidir a bancada feminina na Câmara. No ato, Fabiana pintou o rosto de preto — prática conhecida como blackface — como recurso para ilustrar sua fala, o que gerou reação imediata de parlamentares e movimentos sociais.
PT, PSOL, PSB e PCdoB estão entre os partidos que subscreveram a representação. Líderes petistas na Alesp também estudam medidas no âmbito criminal, apontando possível configuração de conduta racista e transfóbica no episódio.
Ainda assim, o clima entre os próprios signatários é de ceticismo quanto às reais perspectivas de avanço do processo. Dois deputados consultados de forma reservada avaliam que a composição do Conselho de Ética — com maioria de membros ligados ao centro e à direita — pode funcionar como obstáculo a qualquer punição efetiva da parlamentar.
O gesto de Fabiana Bolsonaro foi lido por aliados como uma tentativa deliberada de reproduzir a performance do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em 2023, Nikolas usou uma peruca loira durante sessão solene na Câmara dos Deputados em alusão ao Dia Internacional da Mulher e fez um discurso contrário à presença de mulheres trans em espaços femininos, argumentando que as mulheres estariam perdendo espaço para homens que se identificam como mulheres. O ato gerou grande repercussão nacional e foi amplamente celebrado pela base bolsonarista.
O episódio acende mais um foco de tensão política no ambiente legislativo paulista e escancara o racha em torno da representatividade de mulheres trans na política institucional — debate que promete se intensificar com a proximidade do calendário eleitoral de 2026.








