A guerra no Oriente Médio não fica restrita ao mapa do conflito. Ela chega ao bolso do brasileiro. Segundo o mercado financeiro, o conflito elevou os preços de combustíveis e alimentos, e isso tem efeito direto sobre a inflação no Brasil.
A ligação começa no petróleo. O Oriente Médio é uma região central na produção mundial de óleo. Quando há instabilidade, o preço do petróleo sobe no mercado internacional. Como o combustível brasileiro acompanha esse movimento, o efeito é repassado aos preços internos.
Do posto à mesa
Combustível mais caro encarece o transporte. E transporte mais caro encarece quase tudo, porque praticamente todo produto precisa ser levado de um lugar a outro. Por isso a alta do petróleo se espalha pela economia e chega aos alimentos.
Esse é um dos motivos da pressão sobre a inflação. O Boletim Focus, do Banco Central, projeta o IPCA em 5,33% para 2026, acima do teto da meta, de 4,5%.
Reflexo nos juros
O efeito vai além dos preços. Com a inflação resistente, o mercado avalia que o Banco Central tem menos espaço para baixar a Selic, hoje em 14,25% ao ano. Em outras palavras, a guerra lá fora ajuda a manter os juros altos aqui.
A projeção do mercado é de queda lenta da Selic, com a taxa em 14% no fim de 2026. O cenário externo é apontado como um dos fatores que dificultam um corte mais rápido.
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