🔗 Slug: operacao-resina-oculta-pcdf-trafico-haxixe-riacho-fundo-manaus
Título SEO: Operação Resina Oculta: apreensão de haxixe no Riacho Fundo expõe esquema milionário de tráfico entre DF e região Norte
Subtítulo: PCDF cumpriu 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão no DF, em Goiás, no Maranhão e no Amazonas; lavagem de dinheiro envolvia dezenas de empresas de fachada e plataformas de apostas online
Corpo da matéria:
Um apartamento vazio no Riacho Fundo, no Distrito Federal, foi o ponto de partida para uma das operações antidrogas mais complexas já desencadeadas pela Polícia Civil do DF (PCDF) no estado. O que começou com a apreensão de 47 quilos de haxixe pela Polícia Militar do DF (PMDF) — 490 placas da droga encontradas no imóvel após denúncia anônima recebida por agentes do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas (Rotam) em outubro de 2025 — evoluiu para uma investigação de meses que desnudou uma quadrilha interestadual com movimentação financeira milionária e tentáculos que chegavam até a região Norte do país.
Na manhã desta quinta-feira (19), a PCDF deflagrou a Operação Resina Oculta. Por meio da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), a corporação cumpriu 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão preventiva em quatro estados: Distrito Federal, Goiás, Maranhão e Amazonas.
Desde a descoberta do depósito no Riacho Fundo, investigadores identificaram quatro pessoas diretamente ligadas ao recebimento, armazenamento e distribuição dos entorpecentes para traficantes do DF e da região do Entorno. A partir daí, o fio foi puxado e o novelo se mostrou muito maior do que o esperado.
O dinheiro gerado pelo tráfico não ficava parado. A quadrilha operava uma rede de empresas de fachada para lavar os recursos, com remessas milionárias enviadas sobretudo para Manaus e para áreas de fronteira na região Norte. Em São Luís do Maranhão, cerca de 20 empresas foram identificadas como receptoras dos recursos — e em apenas 45 dias, um único investigado movimentou R$ 30 milhões distribuídos entre 22 empresas registradas em seu nome. Em Goiânia, uma jovem de 19 anos, frentista de posto de combustíveis, aparecia formalmente como titular de dez empresas, expondo a utilização sistemática de laranjas para pulverizar e ocultar a origem do dinheiro.
Em Manaus, três mulheres ligadas a uma facção criminosa atuavam como núcleo financeiro da organização: recebiam os recursos dos demais operadores e os fragmentavam em transferências para múltiplas empresas, dificultando o rastreamento pelas autoridades. Plataformas de apostas esportivas online também foram usadas como canal de lavagem, com ao menos 15 empresas do setor entrando no radar da investigação.
Uma das alvos da operação é Mirian Viana, empresária de Manaus que se apresenta nas redes sociais como dona de uma loja de calçados no Centro da capital amazonense. Segundo as investigações, seu estabelecimento recebeu dinheiro oriundo do tráfico em 2025, incluindo recursos ligados à carga de haxixe que deflagrou toda a investigação. Mirian havia sido presa em dezembro do ano passado em Rio Verde (GO), atuando como “batedora” — função exercida nas rodovias para detectar blitzen e fiscalizações e proteger carregamentos de drogas em trânsito. Na ocasião, o veículo que ela escoltava transportava 29,7 quilos de skunk. Desde 13 de março, ela cumpria pena em regime domiciliar; agora foi alcançada por novo mandado de prisão preventiva.
A Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias de 50 empresas e 12 pessoas físicas investigadas, com ordens de constrição na ordem de R$ 15 milhões por alvo, além do sequestro de veículos de luxo pertencentes aos integrantes do esquema.








