O Conselho de Segurança da ONU deve votar nesta semana uma resolução que autoriza o uso de “todos os meios defensivos necessários” para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã desde fevereiro. A proposta, apresentada pelo Bahrein, enfrenta resistência de China, Rússia e França, que possuem poder de veto.
O que propõe a resolução
A resolução apresentada pelo Bahrein autoriza o uso de força militar defensiva por um período de seis meses para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz. O texto classifica o bloqueio iraniano como ameaça à paz e à segurança internacionais.
A votação estava originalmente marcada para 3 de abril, mas foi adiada. Agora, o Conselho de Segurança deve retomar a análise da proposta ao longo desta semana, em meio a intensas negociações diplomáticas nos bastidores.
O Estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo. Seu bloqueio pelo Irã, iniciado em 28 de fevereiro, já provocou a disparada do preço do barril de petróleo, que saltou de US$ 72 para US$ 109.
China, Rússia e França se opõem
Três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — China, Rússia e França — manifestaram oposição à resolução. Os países argumentam que o texto oferece “cobertura legal para operações militares não autorizadas” e pode escalar ainda mais o conflito na região.
O veto de qualquer um desses três países é suficiente para barrar a resolução, o que torna sua aprovação improvável no formato atual. Negociações buscam encontrar uma linguagem que acomode as preocupações dos opositores sem esvaziar o conteúdo da proposta.
Conforme noticiado anteriormente pelo Sou Brasília, a votação já havia sido adiada duas vezes, refletindo a dificuldade de consenso entre as potências mundiais.
Bloqueio de Ormuz afeta economia global
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem provocado efeitos devastadores na economia global. Além da alta de mais de 50% no preço do petróleo, o bloqueio afeta rotas comerciais vitais para o abastecimento energético da Europa e da Ásia.
Navios de bandeira americana e israelense estão impedidos de transitar pelo estreito. O Irã impôs pedágios a embarcações de outros países, transformando a passagem em instrumento de pressão geopolítica.
Conflito EUA-Irã se intensifica
A votação na ONU acontece em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. O presidente Trump estabeleceu um ultimato para que o Irã reabra o estreito, ameaçando ataques militares caso a exigência não seja atendida. O prazo vence entre esta segunda e terça-feira.
O Irã rejeita negociações sob pressão e ameaça aumentar retaliações contra posições norte-americanas na região. A comunidade internacional teme que o impasse possa levar a um confronto militar de proporções imprevisíveis no Golfo Pérsico.








