Uma das seis pacientes que receberam órgãos contaminados com HIV em transplantes realizados em 2024 no Rio de Janeiro morreu no dia 18 de março de 2026. A vítima, cuja identidade não foi divulgada, conviveu com o vírus por aproximadamente um ano e cinco meses após a contaminação.
O caso
O escândalo veio à tona quando um dos pacientes transplantados apresentou sintomas neurológicos e testou positivo para HIV ao procurar atendimento hospitalar. A investigação revelou que o laboratório PCS Lab Saleme, responsável pelos exames de sangue dos doadores, havia emitido resultados falsos negativos para o vírus.
Ao todo, seis pacientes receberam órgãos de doadores infectados. O laboratório omitiu procedimentos obrigatórios de testagem para reduzir custos operacionais, segundo a investigação.
Responsabilização
Seis pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público: dois sócios e quatro funcionários do PCS Lab Saleme. As acusações incluem associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documento.
Em agosto de 2025, as vítimas receberam indenizações por meio de acordo firmado entre o Ministério Público, o governo estadual, a Fundação Saúde e o PCS Lab. A paciente que faleceu havia sido indenizada em julho de 2025.
Repercussão
O caso expôs falhas graves no sistema de controle de qualidade dos transplantes no Brasil e levantou questionamentos sobre a fiscalização de laboratórios terceirizados que prestam serviços ao sistema público de saúde.
A morte da paciente reacende o debate sobre a responsabilização criminal dos envolvidos e a necessidade de mecanismos mais rigorosos de verificação nos processos de doação e transplante de órgãos no país.