Morre paciente que recebeu transplante contaminado com HIV no Rio

abril 1, 2026

Uma das seis pacientes que receberam órgãos contaminados com HIV em transplantes realizados em 2024 no Rio de Janeiro morreu no dia 18 de março de 2026. A vítima, cuja identidade não foi divulgada, conviveu com o vírus por aproximadamente um ano e cinco meses após a contaminação.

O caso

O escândalo veio à tona quando um dos pacientes transplantados apresentou sintomas neurológicos e testou positivo para HIV ao procurar atendimento hospitalar. A investigação revelou que o laboratório PCS Lab Saleme, responsável pelos exames de sangue dos doadores, havia emitido resultados falsos negativos para o vírus.

Ao todo, seis pacientes receberam órgãos de doadores infectados. O laboratório omitiu procedimentos obrigatórios de testagem para reduzir custos operacionais, segundo a investigação.

Responsabilização

Seis pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público: dois sócios e quatro funcionários do PCS Lab Saleme. As acusações incluem associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documento.

Em agosto de 2025, as vítimas receberam indenizações por meio de acordo firmado entre o Ministério Público, o governo estadual, a Fundação Saúde e o PCS Lab. A paciente que faleceu havia sido indenizada em julho de 2025.

Repercussão

O caso expôs falhas graves no sistema de controle de qualidade dos transplantes no Brasil e levantou questionamentos sobre a fiscalização de laboratórios terceirizados que prestam serviços ao sistema público de saúde.

A morte da paciente reacende o debate sobre a responsabilização criminal dos envolvidos e a necessidade de mecanismos mais rigorosos de verificação nos processos de doação e transplante de órgãos no país.