Brasil cria 72,9 mil vagas formais em maio e tem o pior resultado do ano

junho 30, 2026
Brasil cria 72,9 mil vagas formais em maio e tem o pior resultado do ano

O mercado de trabalho formal abriu 72.960 vagas com carteira assinada em maio, o menor saldo para o mês desde 2020, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O número ficou bem abaixo da mediana das Projeções Broadcast, que apontava criação líquida de 120 mil postos.

O resultado confirma uma perda de fôlego na geração de emprego ao longo do primeiro semestre. No acumulado de janeiro a maio, o país somou 767.326 vagas formais. É um volume expressivo, mas 28% menor do que o registrado no mesmo intervalo de 2025, o que indica que o ritmo de contratações desacelerou na comparação anual.

O saldo mensal é a diferença entre admissões e demissões. Em maio, cinco dos cinco grandes setores da economia terminaram no positivo, ainda que com forte concentração em um deles.

Serviços seguem no comando

O setor de serviços foi outra vez o principal motor das contratações, com 45.655 vagas líquidas. Na sequência apareceram construção civil, agropecuária, indústria e comércio, este último praticamente estável.

  • Serviços: 45.655 vagas
  • Construção: 12.096 vagas
  • Agropecuária: 10.205 vagas
  • Indústria: 4.974 vagas
  • Comércio: 40 vagas

Entre os estados, São Paulo liderou a geração de empregos em maio, com aumento de 18.224 postos, seguido por Espírito Santo, com 9.532, e Rio de Janeiro, com 9.195.

A desaceleração dos últimos meses conversa com o quadro de juros altos. Com a taxa Selic em patamar elevado, o crédito fica mais caro para empresas e famílias, o que costuma frear investimentos, expansão de folha e consumo. O comércio, sensível ao endividamento das famílias, foi o setor que mais sentiu esse ambiente e fechou o mês no zero a zero.

Ainda assim, o estoque de vagas formais permanece em nível recorde no país, resultado do acúmulo de saldos positivos ao longo dos últimos anos. Para os próximos meses, economistas ouvidos pelo mercado projetam continuidade da moderação, com saldos mensais menores do que os vistos em 2024 e 2025.

O dado do Caged de maio se soma a outros indicadores recentes do mercado de trabalho que mostram a mesma direção: emprego ainda em expansão, mas em marcha mais lenta. A leitura reforça a leitura de que o país entra no segundo semestre com atividade econômica perdendo intensidade, exatamente o efeito buscado pela política monetária para trazer a inflação de volta à meta.

O Ministério do Trabalho destacou que o resultado, mesmo abaixo do esperado, mantém a trajetória positiva do emprego formal ao longo de 2026. A pasta também ressaltou o peso dos serviços na sustentação do saldo, setor que responde pela maior parcela da mão de obra ocupada no país.

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