Duas agentes de segurança são vítimas de feminicídio em um mês e casos acendem alerta no Brasil

março 24, 2026

Dois casos recentes de feminicídio envolvendo agentes de segurança pública chamaram atenção no país ao ocorrerem em um intervalo de pouco mais de um mês. As ocorrências reforçam que a violência de gênero pode atingir mulheres independentemente da profissão ou posição que ocupam.

As vítimas foram a comandante da Guarda Municipal de Vitória (ES), Dayse Barbosa, e a policial militar de São Paulo, Gisele Alves Santana. Ambas foram mortas por companheiros, em episódios com características semelhantes, segundo as investigações.

Casos têm padrões semelhantes

No Espírito Santo, Dayse Barbosa foi assassinada a tiros dentro de casa pelo namorado, um policial rodoviário federal. O crime ocorreu enquanto a vítima dormia, e o autor, após o ataque, tirou a própria vida.

As apurações indicam que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e apresentava comportamento marcado por ciúmes e controle, fatores frequentemente associados a casos de violência doméstica.

Já em São Paulo, a policial militar Gisele Alves Santana foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, um oficial da própria corporação. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio após o avanço das análises periciais.

Histórico de violência e sinais prévios

Mensagens e relatos reunidos pelas autoridades indicam que Gisele já havia sofrido agressões e demonstrava medo do comportamento do companheiro antes do crime. Testemunhas também apontaram atitudes abusivas e controladoras por parte do suspeito.

Especialistas destacam que esse tipo de violência costuma se manifestar de forma gradual, começando com atitudes de controle e evoluindo para agressões mais graves.

Crescimento do feminicídio no país

Os casos ocorrem em um contexto de aumento dos feminicídios no Brasil. Dados recentes apontam que 2025 registrou o maior número de ocorrências da última década, com mais de 1,5 mil vítimas.

O cenário reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção e proteção às mulheres, além de ações para identificar sinais de relacionamentos abusivos antes que a violência evolua para crimes fatais.

Alerta para toda a sociedade

As mortes das duas agentes evidenciam que nem mesmo mulheres treinadas para lidar com situações de risco estão imunes à violência doméstica.

Autoridades e especialistas reforçam a importância de reconhecer sinais iniciais de abuso e buscar ajuda, destacando que o enfrentamento ao feminicídio exige mobilização conjunta da sociedade e do poder público.