Dia Mundial da Doença de Chagas: 90% dos pacientes com marcapasso no HBDF têm a enfermidade

abril 15, 2026
Dia Mundial da Doença de Chagas: 90% dos pacientes com marcapasso no HBDF têm a enfermidade

No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), aproximadamente 90% dos pacientes que recebem implante de marcapasso apresentam complicações cardíacas associadas à doença de Chagas. O dado foi divulgado em alusão ao Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado em 14 de abril, e reforça a relevância da enfermidade no perfil clínico da população atendida pela unidade.

O cirurgião cardíaco José Joaquim Vieira Júnior, chefe do ambulatório de marcapasso do HBDF, alerta que a fase crônica da doença pode ser assintomática por muitos anos. “O paciente pode conviver com a doença por anos sem saber e desenvolver insuficiência cardíaca, arritmias e aumento do coração”, explicou o especialista. O HBDF realiza aproximadamente 600 implantes de marcapasso por ano — foram 637 em 2023, 650 em 2024 e 655 em 2025.

A doença de Chagas é transmitida principalmente pelo inseto barbeiro, mas também pode ocorrer por transfusão sanguínea, ingestão de alimentos contaminados ou transmissão vertical da mãe para o filho durante a gestação. O diagnóstico varia conforme a fase: na fase aguda, há maior presença de parasitas no sangue; na crônica, são necessários exames específicos e avaliações cardíacas e digestivas.

O tratamento na fase inicial utiliza medicamentos antiparasitários, com maiores chances de cura quando iniciado precocemente. Em casos avançados, o foco passa a ser o controle das complicações cardíacas com medicamentos, procedimentos e dispositivos como marcapassos. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).