Uma jovem com deficiência visual total virou destaque em Brasília depois de entregar uma redação de inglês escrita inteiramente em Braille — com cinco páginas preenchidas à mão, usando um instrumento chamado reglete. A façanha aconteceu no Centro Interescolar de Línguas (CIL) 02 da Asa Norte, escola pública do Distrito Federal especializada no ensino gratuito de idiomas estrangeiros.
Maria Eduarda Caetano Albernaz, de 21 anos, está no 3º semestre do curso e frequenta o CIL há um ano. Natural de Paracatu, em Minas Gerais, ela contou que o sonho de aprender inglês vem desde a infância — mas que nas escolas de sua cidade natal nunca encontrou estrutura para atender alunos com deficiência. A chegada ao CIL mudou esse cenário.
No DF, ela também cursa Direito na Universidade de Brasília (UnB) e já planeja avançar para outros idiomas após o inglês.
Como é o aprendizado
Na escola, Maria Eduarda frequenta as mesmas salas que os colegas sem deficiência. O material didático é idêntico ao dos demais alunos — a diferença é que o conteúdo é transcrito para o Braille por meio de uma impressora específica. A metodologia de ensino é adaptada para garantir que ela acompanhe, memorize e compreenda o conteúdo no mesmo ritmo da turma.
Os professores a ensinam a escrever e falar em inglês por meio de impressões táteis e soletração. Segundo ela, o ambiente é acolhedor e tecnicamente preparado — algo que nunca havia encontrado antes.
A redação de 5 páginas
Todo semestre, os alunos do CIL precisam produzir duas redações na língua estudada. Para escrever a sua, Maria Eduarda utilizou o reglete — um instrumento considerado mais rudimentar que a máquina Braille, no qual a escrita é feita de forma espelhada, exigindo maior esforço e precisão.
Enquanto a maioria dos colegas com visão entregou textos de cerca de uma página, ela produziu cinco. Segundo sua professora, Danielle Lemos, que atua no CIL há 20 anos, isso não foi acidente: o Braille naturalmente ocupa mais espaço do que a escrita convencional, mas Maria Eduarda poderia ter escrito bem menos. A escolha foi dela.
Para a docente, a aluna é uma estudante fora do perfil comum — alguém que nunca se contenta com o mínimo e que transforma cada atividade em uma demonstração de comprometimento.
Uma história de inclusão real
Danielle conta que se sente privilegiada por fazer parte da trajetória de estudantes com deficiência no CIL. Para ela, a sala de aula se torna um espaço de troca genuína — onde ela ensina, mas também aprende com os alunos.
Para Maria Eduarda, o CIL representa mais do que um curso de inglês: é o lugar onde ela finalmente se vê tratada como qualquer outro aluno, com as mesmas exigências, os mesmos desafios e as mesmas possibilidades.
Leia também
- → Celina Leão assume o governo do Distrito Federal nesta segunda-feira (30/3); conheça o perfil da nova governadora
- → Congresso Realize reúne milhares de mulheres no Parque da Cidade em Brasília
- → Mãe está há 4 meses sem ver os filhos após ex-marido, condenado por violência doméstica, reter crianças em Brasília