O mercado financeiro reduziu de 5,16% para 5,15% a projeção de inflação para 2026 e manteve em 14% ao ano a estimativa para a taxa Selic no fim do ano, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (20).
É a terceira semana seguida de queda na expectativa para o IPCA, o índice oficial de inflação do país. Há um mês, a mediana das projeções estava em 5,33%. O relatório reúne as estimativas de instituições financeiras e consultorias coletadas até sexta-feira (17).
Mesmo em queda, a projeção segue distante da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o teto tolerado é de 4,5%, e a inflação esperada para 2026 continua quase 0,7 ponto acima desse limite.
Inflação de 2027 fica dentro da meta projetada
Para 2027, o mercado manteve a estimativa do IPCA em 4,20%. O número está dentro do intervalo de tolerância da meta, o que reforça a leitura de que o aperto de juros atual deve continuar surtindo efeito ao longo do próximo ano. A trajetória recente também aparece na projeção de inflação divulgada pelo governo na semana passada, que caminha na mesma direção.
Focus de 20 de julho: IPCA 2026 em 5,15% (era 5,16%); Selic no fim de 2026 em 14% ao ano; dólar a R$ 5,20; crescimento do PIB de 1,99%.
Quando o IPCA fecha o ano acima do teto, o presidente do Banco Central é obrigado a escrever uma carta aberta ao Ministério da Fazenda explicando as razões do estouro e as medidas para trazer os preços de volta à meta. Se a projeção de 5,15% se confirmar, será esse o roteiro em 2026.
Selic: mercado espera mais um corte até dezembro
A taxa básica de juros está hoje em 14,25% ao ano, depois de duas reduções seguidas de 0,25 ponto promovidas pelo Copom, em maio e em junho. Como a mediana do Focus aponta Selic de 14% em dezembro, o mercado embute na conta mais um corte da mesma magnitude até o fim do ano.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. A expectativa em torno do encontro já vinha sendo mapeada pelo SouBrasília na análise sobre o que esperar da decisão do Copom de agosto. Para 2027, a projeção do mercado é de Selic em 12% ao ano.
Dólar estável e PIB perto de 2%
As demais projeções do relatório tiveram pouca variação:
- Dólar: R$ 5,20 no fim de 2026 e R$ 5,28 no fim de 2027;
- PIB: crescimento de 1,99% em 2026 e de 1,65% em 2027;
- Selic 2027: 12% ao ano;
- IPCA 2027: 4,20%.
Para quem acompanha o orçamento doméstico, o recado do relatório é duplo. A inflação dá sinais de acomodação, mas segue alta o bastante para pressionar preços de alimentos e serviços. Ao mesmo tempo, os juros devem permanecer em dois dígitos por muito tempo, o que mantém caros o crédito, o financiamento imobiliário e o parcelamento no cartão.
O que é o Boletim Focus
O Focus é um levantamento semanal do Banco Central que resume as projeções de cerca de uma centena de instituições do mercado para os principais indicadores da economia. Ele é divulgado toda segunda-feira e serve de referência para as decisões de juros do Copom. Na edição anterior, o mercado já havia reduzido a projeção de inflação para 5,16%.
Perguntas frequentes
Quando sai o próximo Boletim Focus?
O relatório é semanal e sai toda segunda-feira de manhã no site do Banco Central. A próxima edição está prevista para 27 de julho.
Quando o Copom decide a Selic de novo?
Nos dias 4 e 5 de agosto, na 280ª reunião do comitê. O anúncio da decisão sai na noite de quarta-feira (5).
O que acontece se a inflação estourar o teto da meta?
O presidente do Banco Central precisa explicar o descumprimento em carta aberta ao ministro da Fazenda, com as razões do estouro e o prazo esperado para a inflação voltar ao intervalo de tolerância.
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