Crédito rural põe R$ 92,4 bi em áreas com alerta ambiental

julho 20, 2026
Produtor segura grãos de soja durante colheita

Cerca de 15% do crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 financiou propriedades com alertas de desmatamento ou de degradação da vegetação nativa, aponta levantamento do MapBiomas divulgado na sexta-feira (18). O valor chega a R$ 92,4 bilhões, espalhados por 831 mil operações de financiamento.

Os dados estão na nova edição do Monitor do Crédito Rural, plataforma que cruza as informações do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor), do Banco Central, com bases geoespaciais de desmatamento, embargos ambientais, terras indígenas, unidades de conservação, territórios quilombolas e florestas públicas.

No período analisado, o crédito rural público somou R$ 613,18 bilhões. Na prática, de cada R$ 100 emprestados ao campo com recursos públicos, cerca de R$ 15 chegaram a imóveis rurais com algum tipo de alerta socioambiental registrado.

Banco do Brasil e BNB concentram o volume

Mais de 400 instituições financeiras operam crédito rural no país, mas cinco concentram cerca de 60% de tudo o que foi financiado: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul.

O Banco do Brasil, com sede em Brasília, financiou R$ 306 bilhões no período e responde sozinho por 33% dos recursos aplicados em áreas com sobreposição socioambiental. Já o Banco do Nordeste, que detém 56% das operações do sistema, aparece com 63% dos contratos firmados nessas condições.

“A quantidade de operações analisadas pelo monitor mais que duplicou na nova versão”, disse o pesquisador do MapBiomas Paulo Teixeira à Agência Brasil.

Tocantins lidera em valores; Piauí, em número de operações

O dinheiro com sobreposição de alertas não se distribui de forma uniforme pelo território. Os maiores volumes ficaram em estados da fronteira agrícola:

  • Tocantins: R$ 13,9 bilhões financiados em áreas com sobreposição;
  • Mato Grosso: R$ 13,3 bilhões;
  • Rondônia: R$ 13 bilhões;
  • Piauí: 336 mil operações, o maior número de contratos do país nessas condições.

Os alertas usados no cruzamento são detectados por imagens de satélite e indicam que o imóvel beneficiado pelo financiamento registrou desmatamento ou degradação da vegetação nativa dentro do período coberto pelo monitor. O dado serve de referência para bancos, reguladores e órgãos de controle avaliarem o risco socioambiental das operações de crédito.

Contexto: dinheiro novo acabou de ser anunciado

O levantamento chega semanas depois do lançamento do Plano Safra Empresarial 2026/2027, que definiu as condições do crédito rural para o novo ciclo agrícola, e da linha específica do Plano Safra da Agricultura Familiar. É esse fluxo anual de financiamento que o MapBiomas passa a monitorar com mais detalhe.

O MapBiomas é uma rede que reúne organizações da sociedade civil, universidades e empresas de tecnologia para mapear o uso do solo no Brasil. A íntegra dos dados pode ser consultada gratuitamente na plataforma do Monitor do Crédito Rural.

Perguntas rápidas

O alerta significa crime ambiental comprovado?
Não. O alerta indica desmatamento ou degradação detectados por satélite no imóvel financiado. A apuração de eventual irregularidade cabe aos órgãos ambientais e aos próprios bancos.

Qual o tamanho do problema em relação ao total?
Cerca de 15% do crédito rural público do período. Foram R$ 92,4 bilhões em áreas com alertas, de um total de R$ 613,18 bilhões financiados entre 2019 e 2025.

Quais bancos aparecem com mais contratos nessas áreas?
O Banco do Nordeste concentra 63% dos contratos com sobreposição socioambiental, e o Banco do Brasil responde por 33% dos recursos aplicados nessas condições.

Com informações da Agência Brasil.

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