A campanha Julho Verde dedica o mês à prevenção do câncer de cabeça e pescoço, doença que deve atingir 42.150 brasileiros em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). No Distrito Federal, a projeção é de 610 novos casos no ano.
O que preocupa os médicos é o atraso na descoberta: cerca de 80% dos pacientes brasileiros só recebem o diagnóstico em estágio avançado, quando o tratamento é mais agressivo e as sequelas, maiores. Detectada no início, a doença alcança índices de cura de até 90%.
O grupo reúne tumores de boca, garganta, laringe, tireoide, pele do rosto e glândulas salivares. A campanha foi criada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), com apoio da Organização Mundial da Saúde, e está na lei desde 2022: a Lei 14.328 fixou julho como o Mês Nacional do Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. A data lembra o Dia Mundial de Prevenção e Combate à doença, em 27 de julho.
Sinais que pedem avaliação médica
Ao Jornal de Brasília, o oncologista e cirurgião de cabeça e pescoço Cláudio Cavalcanti, do Hospital Santa Lúcia Sul, listou os sintomas que não devem ser ignorados.
“Feridas na boca, na garganta ou nas amígdalas que não cicatrizam em 30 dias, dor ao deglutir, rouquidão ao falar e caroços no pescoço que permanecem por mais de um mês precisam ser avaliados”, afirma o médico.
Os principais sinais de alerta são:
- ferida na boca, garganta ou amígdalas que não cicatriza em até 30 dias;
- dor ou dificuldade para engolir;
- rouquidão persistente;
- caroço no pescoço que dura mais de um mês;
- nódulo visível na tireoide;
- lesão na pele do rosto ou do pescoço que muda de aspecto.
Tabaco, álcool e HPV lideram os fatores de risco
A prevenção passa por hábitos conhecidos. O tabagismo em todas as formas (cigarro, charuto, cachimbo e cigarro eletrônico) e o consumo excessivo de álcool respondem pela maior parte dos casos. A infecção pelo HPV vem ganhando peso, com número crescente de tumores de garganta associados ao vírus.
Para os tumores de pele da região, o cuidado é com o sol. “Devemos evitar o sol entre 10h e 16h. Quando isso não for possível, é fundamental utilizar filtro solar”, orienta Cavalcanti.
Onde buscar atendimento no DF
Na rede pública do Distrito Federal, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde (UBS): quem notar qualquer um dos sinais deve marcar consulta com o clínico ou com o dentista da unidade, que encaminha os casos suspeitos para avaliação especializada pela regulação. Levar documento com foto e cartão do SUS.
O diagnóstico precoce depende de procurar o serviço assim que o sintoma passa do prazo de alerta, e não de esperar a dor piorar. Boa parte dos tumores de boca é visível no exame clínico simples, o que torna a consulta de rotina com o dentista uma ferramenta de rastreio.
Julho concentra outras frentes de prevenção na rede pública. O Julho Amarelo oferece teste gratuito de hepatite nas UBSs do DF, e a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE visita 140 mil casas com exames gratuitos.
Até 27 de julho, hospitais e sociedades médicas programam ações de orientação da campanha em todo o país. Quem tem sintoma persistente não precisa esperar: a UBS atende sem custo durante o ano inteiro.








