Lúcia Carreiro, de 43 anos, mãe do adolescente Davi e filha da idosa Tertulia — ambos assassinados a golpes de picareta em Águas Lindas de Goiás — quebrou o silêncio e deu um depoimento emocionante sobre a tragédia que destruiu sua família. “Poderia ter sido eu”, disse a sobrevivente, que havia viajado ao Ceará dias antes do crime.
O relato da sobrevivente
Em entrevista, Lúcia descreveu a dor de ter perdido a mãe, Tertulia Bezerra da Silva Sousa, de 63 anos, e o filho Davi Correia de Sousa, de 13 anos, na mesma madrugada. “Um dia você tem sua família ali, tudo normal, e no outro não tem mais ninguém. Acabaram os cafés da tarde com a minha mãe”, lamentou.
Lúcia havia viajado ao Ceará poucos dias antes do crime e deixou Davi aos cuidados dos avós, como fazia habitualmente. A família morava em casas separadas dentro do mesmo lote no bairro Jardim Laranjeiras, em Águas Lindas.
A mãe revelou que nunca imaginou que o padrasto pudesse cometer tamanha violência. “Poderia ter sido eu se estivesse em casa”, afirmou, reconhecendo que a viagem a salvou por acaso.
A descoberta dos corpos
Os corpos de Tertulia e Davi foram encontrados por volta das 14h de sexta-feira (3) por um dos netos da família, que estranhou o silêncio na residência. A avó e o adolescente estavam em cômodos diferentes da casa, ambos com ferimentos graves na cabeça causados por uma picareta.
O autor do crime, marido de Tertulia e avô de Davi, um homem de 64 anos, foi encontrado morto no quintal com sinais de enforcamento. A Polícia Civil de Goiás classificou o caso como feminicídio e homicídio seguido de suicídio.
Segundo as investigações, o homem enfrentava quadro de depressão e tinha problemas com consumo de álcool. O caso está sendo apurado pelo Grupo de Investigações de Homicídios (GIH).
Velório e sepultamento realizados nesta segunda
Conforme noticiado pelo Sou Brasília, o velório e sepultamento de Tertulia e Davi foram realizados nesta segunda-feira (6) no cemitério de Águas Lindas de Goiás. A cerimônia reuniu familiares, amigos e moradores do bairro em uma despedida marcada pela comoção.
A comunidade do Jardim Laranjeiras se mobilizou para prestar solidariedade à família e ofereceu apoio a Lúcia, que agora precisa reconstruir sua vida após perder mãe e filho de forma tão brutal.
Apoio a famílias em situação de violência
Se você ou alguém próximo vive em situação de violência doméstica ou familiar, procure ajuda:
- CVV 188 — Centro de Valorização da Vida (prevenção ao suicídio, 24h)
- Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher
- CRAS — Centro de Referência de Assistência Social da sua região
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