Mulher morta a facadas atrás de escola em Ceilândia é identificada

agosto 17, 2026
Viatura da Polícia Civil do Distrito Federal em via de Brasília, ao lado de ônibus do transporte público

A mulher morta a facadas atrás de uma escola pública em Ceilândia foi identificada como Hildene Rodrigues da Silva, de 37 anos. O crime ocorreu na madrugada de quinta-feira, 13 de agosto, por volta das 5h50, atrás do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 35, na QNN 3 de Ceilândia Norte. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura o caso e o autor segue sem identificação.

Hildene foi atingida por diversos golpes de faca e socorrida em estado grave. Levada ao Hospital Regional de Ceilândia, ela não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade. Até esta segunda-feira, 17, o corpo não havia sido reclamado por familiares.

O caso é apurado como feminicídio pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher. A linha de investigação considera a condição de vulnerabilidade da vítima, que vivia em situação de rua, e o histórico de conflitos no ponto onde ela foi atacada.

O que se sabe sobre o local

O trecho atrás do CEF 35 é conhecido na região como área de tráfico e consumo de drogas. Moradores ouvidos pela imprensa local relataram desentendimentos frequentes entre frequentadores do ponto, com registros anteriores de agressão com arma branca.

A área fica em quadra residencial, com circulação de estudantes no período da manhã. A escola funciona normalmente, e não há informação de que a unidade tenha sido alvo do crime ou de que alunos tenham presenciado a ocorrência, que aconteceu antes do início das aulas.

A PCDF não divulgou se há suspeito identificado, se imagens de câmeras foram recolhidas ou se testemunhas prestaram depoimento. Em investigações desse tipo, a corporação costuma preservar informações para não comprometer diligências em andamento.

Como a lei trata o feminicídio

Desde 2024, o feminicídio deixou de ser qualificadora do homicídio e passou a ser crime autônomo no Código Penal, com pena de reclusão de 20 a 40 anos. A mudança veio com a Lei 14.994, que também endureceu o tratamento de agravantes quando o crime é cometido contra mulher em situação de vulnerabilidade.

A caracterização do feminicídio não depende de relação afetiva entre autor e vítima. O enquadramento se aplica quando o assassinato ocorre por razões da condição de sexo feminino, o que inclui menosprezo ou discriminação à condição de mulher, além dos casos de violência doméstica e familiar.

Enquanto a autoria não é estabelecida, qualquer pessoa apontada segue como suspeita, sem condenação. A definição só ocorre ao fim do processo, com decisão transitada em julgado.

Onde denunciar violência contra a mulher no DF

O DF mantém canais específicos para denúncia e acolhimento. A rede funciona de forma independente do registro de ocorrência comum e atende também quem quer relatar caso de terceiros.

  • Central de Atendimento à Mulher: 180, ligação gratuita e 24 horas
  • Polícia Militar em emergência: 190
  • Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam): unidades I e II, com atendimento especializado no DF
  • Delegacia Eletrônica da PCDF: registro on-line de ocorrências no site da corporação
  • Disque 100: violações de direitos humanos, inclusive contra pessoas em situação de rua

Mulheres em situação de rua estão entre os grupos com menor acesso a medidas protetivas, porque o vínculo com a rede de proteção depende de endereço, documentação e acompanhamento continuado. No DF, o atendimento a essa população é feito pelos Centros Pop e pelas equipes de abordagem social da Secretaria de Desenvolvimento Social.

Casos recentes no DF

A PCDF tem concluído inquéritos de morte violenta de mulheres no DF com o uso de exame de DNA e cruzamento de dados de câmeras. Neste mês, a corporação prendeu um homem que confessou a morte de uma idosa em Samambaia, caso que passou a ser tratado como feminicídio depois da confissão.

Outro inquérito reaberto com apoio de perícia genética levou à prisão de um suspeito de matar uma mulher com 119 facadas em Planaltina, crime cometido havia 12 anos. Nos dois casos, a identificação veio de material recolhido na cena e comparado a bancos de perfis genéticos.

No caso de Ceilândia, a investigação segue sob responsabilidade da Deam. Informações que ajudem a identificar o autor podem ser repassadas de forma anônima pelo 197, canal de denúncias da Polícia Civil do DF.

A identificação da vítima é etapa que costuma destravar a apuração. Com nome e documentação, a polícia consegue reconstruir a rotina da pessoa, mapear com quem ela convivia e cruzar registros anteriores de ocorrência, caminho que não existe enquanto o corpo permanece sem identificação. É também o passo que permite acionar a família para reconhecimento e liberação do corpo no Instituto Médico Legal.

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