O Brasil fechou junho com 62.891.209 vínculos formais de trabalho ativos, segundo a Rais Mensal divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quinta-feira (13), em Brasília. É o maior estoque já registrado na série e representa 10.100.342 vínculos a mais do que em janeiro de 2023, alta de 19,1% no período.
Só em 2026, o acumulado é de 2,46 milhões de novos postos, crescimento de 4,1% sobre o fim do ano passado. O dado é diferente do saldo mensal do Novo Caged, que mede apenas admissões menos demissões no mês: a Rais mostra o total de gente com vínculo ativo em um determinado momento, o que inclui celetistas, temporários e servidores.
Quem são os 62,8 milhões
A composição do estoque ajuda a entender o que puxou o crescimento:
- 48,15 milhões são celetistas, somando contratos por prazo indeterminado e temporários;
- 14,31 milhões são agentes públicos, categoria que reúne servidores estatutários, militares e contratados por regimes próprios.
O grupo de agentes públicos foi o que teve o salto proporcional mais forte no período, saindo de 9,25 milhões em 2023. Parte do movimento vem de recomposições de quadro em estados e municípios e de concursos represados durante os anos de restrição fiscal e da pandemia.
Serviços concentram o crescimento
O avanço não se distribuiu de forma parelha entre os setores. Serviços responde por 8,45 milhões dos novos vínculos, expansão de 28,3% desde 2023 e mais de oito em cada dez postos criados no período. Os demais setores tiveram alta em ritmo bem menor:
- indústria: 832 mil vínculos a mais, alta de 10%;
- construção: 357 mil, alta de 13,3%;
- comércio: 340 mil, alta de 3,3%;
- agropecuária: 88 mil, alta de 5%.
A concentração em serviços tem duas leituras. Por um lado, é o setor que mais emprega no país e o que mais absorve mão de obra em recuperação de renda. Por outro, é onde estão as maiores rotatividade e a maior parcela de contratos de menor remuneração, o que torna o estoque mais sensível a qualquer freio na atividade econômica.
Sudeste e Nordeste puxam o número
Na divisão regional, o Sudeste concentra 3,78 milhões dos novos vínculos e o Nordeste, 2,69 milhões. São Paulo lidera entre os estados, com 1,64 milhão de postos a mais desde 2023, seguido por Minas Gerais, com 1,29 milhão, e Rio de Janeiro, com 683 mil.
A distribuição regional segue o mapa da atividade econômica, mas o dado relevante para quem acompanha o Centro-Oeste é o comportamento das capitais administrativas. O crescimento do contingente de agentes públicos tem efeito direto em cidades onde o setor público é o maior empregador, caso do Distrito Federal, onde a administração federal, a distrital e as estatais concentram a maior fatia dos vínculos formais.
O que puxou o estoque para cima
Três movimentos aparecem por trás do salto de 10,1 milhões de vínculos em três anos e meio. O primeiro é a recuperação pós-pandemia, que devolveu ao mercado formal parte dos postos fechados em 2020 e 2021, sobretudo em serviços presenciais como alimentação, turismo e eventos.
O segundo é a formalização de relações que já existiam na informalidade, empurrada pela fiscalização e por regras de contratação em setores como transporte, limpeza e cuidado. O terceiro é a reabertura de concursos públicos em estados e municípios, represados durante o período de restrição fiscal.
Nenhum dos três é permanente. Recuperação cíclica se esgota, formalização tem limite no tamanho do mercado informal e concurso depende de espaço no orçamento. Por isso o dado de estoque diz mais sobre o caminho percorrido do que sobre o ritmo dos próximos meses, que continua sendo medido pelo saldo mensal do Caged.
O ritmo de crescimento do emprego formal contrasta com a leitura mais recente do desemprego. A taxa medida pela Pnad Contínua do IBGE segue em patamar historicamente baixo, o que reduz o contingente de trabalhadores disponíveis e começa a aparecer nas queixas de empresas sobre dificuldade de contratação em ocupações técnicas.
O que o dado significa para quem procura vaga
Estoque em alta não significa vaga aberta em todo lugar. O número mede quem já está empregado, e não a oferta de novas posições, que aparece no fluxo mensal do Caged. Para quem está em busca de recolocação, o dado útil é o setorial: serviços continua sendo a porta de entrada mais larga, principalmente em atividades de saúde, educação, tecnologia da informação e alimentação fora do lar.
No Distrito Federal, o Sistema Nacional de Emprego mantém captação de vagas nas agências do trabalhador, com atendimento presencial e pelo aplicativo. Quem pretende disputar posição no setor público tem no calendário de concursos a outra via, ampliada justamente pela expansão do quadro de agentes públicos registrada na Rais.
Leia também: desemprego cai a 5,4% em junho, o menor da série do IBGE.
Perguntas frequentes
Quantos empregos formais o Brasil tem em 2026?
O país tinha 62.891.209 vínculos formais ativos em junho de 2026, segundo a Rais Mensal divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 13 de agosto de 2026.
Qual a diferença entre a Rais e o Caged?
A Rais mede o estoque, ou seja, o total de vínculos ativos em determinado momento. O Novo Caged mede o fluxo do mês, com o saldo entre admissões e demissões.
Qual setor mais criou empregos desde 2023?
Serviços, com 8,45 milhões de vínculos a mais, alta de 28,3%. Em seguida vêm indústria, com 832 mil, e construção, com 357 mil.








