Preso com 19 kg de metanfetamina do México em hotel de Brasília

agosto 10, 2026
Policiais militares do Distrito Federal em formação durante operação antidroga em Brasília

Um homem foi preso no domingo (9), por volta das 12h40, em um hotel do Setor Hoteleiro Norte, no centro de Brasília, com 19 pacotes de metanfetamina que somam cerca de 19 quilos da droga. A carga é avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), e teria saído do México com destino ao Brasil.

A prisão foi feita em ação conjunta do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), por meio da equipe Patamo, com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (Ficco/DF), grupo que reúne polícias estaduais e federais. Além dos tabletes, os agentes encontraram 2.220 pesos mexicanos em espécie no quarto ocupado pelo suspeito.

O homem responderá por tráfico internacional de drogas. Ele não teve o nome divulgado e é tratado como suspeito até que haja condenação definitiva. A defesa não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem.

O que foi apreendido

A quantidade chama atenção pelo tipo de entorpecente. A metanfetamina tem circulação restrita no mercado brasileiro se comparada à cocaína e à maconha, e costuma aparecer em apreensões menores, na forma de comprimidos. Dezenove quilos em estado puro indicam carga de atacado, não de varejo.

  • Material: 19 pacotes de metanfetamina, cerca de 19 quilos
  • Valor estimado: aproximadamente R$ 6 milhões, segundo a PMDF
  • Dinheiro: 2.220 pesos mexicanos
  • Origem informada: México
  • Local: hotel no Setor Hoteleiro Norte, área central de Brasília
  • Data e hora: domingo, 9 de agosto de 2026, por volta das 12h40

Por que o crime é tratado como tráfico internacional

A Lei de Drogas (Lei 11.343/2006) prevê pena de 5 a 15 anos de reclusão para quem importa, exporta, remete, transporta ou guarda entorpecente sem autorização. Quando a droga cruza fronteira, incide a causa de aumento prevista no artigo 40, que eleva a pena de um sexto a dois terços.

“Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar.” (artigo 33 da Lei 11.343/2006)

A tipificação final cabe à Justiça, depois do inquérito. A presença de moeda estrangeira em espécie e a origem declarada da carga costumam reforçar a linha de investigação sobre a rota internacional.

Setor Hoteleiro Norte na mira

Não é a primeira ocorrência de tráfico registrada em hotéis da região central da capital neste ano. Em julho, uma operação integrada entre PMDF e Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu três pessoas por manter ponto de venda de drogas em um hotel da Asa Norte.

O Setor Hoteleiro Norte concentra empreendimentos de médio e grande porte a poucos minutos da Rodoviária do Plano Piloto e da Esplanada dos Ministérios. A alta rotatividade de hóspedes e a facilidade de acesso tornam a área ponto de interesse para grupos que usam quartos como depósito temporário de carga. Desde 2024, o setor integra a lista de áreas de segurança especial do Distrito Federal, o que amplia o efetivo e permite ações preventivas mais frequentes.

O que acontece agora

O suspeito foi encaminhado à delegacia e a droga passou por pesagem e perícia. O material apreendido segue para exame que identifica composição e pureza, laudo que serve de base para a denúncia do Ministério Público.

A Ficco/DF foi criada para atacar a logística de organizações criminosas no Distrito Federal e no Entorno, com foco em rotas de entrada de drogas e armas. A força reúne Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, PCDF e PMDF, e concentra esforço em cargas de grande volume, como a apreendida no domingo.

Depois de periciada, a droga fica sob custódia até a autorização judicial de destruição. A incineração é acompanhada por representante do Ministério Público e registrada em ata, procedimento previsto na Lei de Drogas para evitar desvio de material apreendido.

Uma droga pouco comum nas apreensões do DF

A metanfetamina é um estimulante sintético produzido em laboratório, sem etapa agrícola. Isso muda a lógica do transporte: em vez de rotas ligadas a áreas de cultivo na América do Sul, a carga acompanha o eixo de produção do México e da América Central. O consumo no Brasil é menor que o de cocaína e o de maconha, e a droga costuma chegar ao usuário final na forma de comprimidos ou cristais.

Por essa razão, o volume apreendido no domingo destoa do padrão das ocorrências registradas na capital. Apreensões de metanfetamina no Distrito Federal em geral envolvem quantidades pequenas, ligadas a consumo em festas e a venda pulverizada, e não tabletes empacotados para revenda no atacado.

A equipe Patamo, que participou da ação, é a patrulha tática móvel do BPChoque. O grupo atua em deslocamento constante e é acionado em ocorrências que exigem resposta rápida ou abordagem de risco, como o cumprimento de mandado em local fechado.

Leia também: GDF ampliou a área de segurança especial e incluiu o Setor Hoteleiro.

Perguntas frequentes

Quanto vale a droga apreendida no Setor Hoteleiro Norte?

Cerca de R$ 6 milhões, segundo estimativa divulgada pela Polícia Militar do Distrito Federal. São aproximadamente 19 quilos de metanfetamina, distribuídos em 19 pacotes.

Qual pena o suspeito pode pegar?

O tráfico de drogas previsto no artigo 33 da Lei 11.343/2006 tem pena de 5 a 15 anos de reclusão. Como a droga teria origem no México, incide o aumento do artigo 40, de um sexto a dois terços. A definição cabe à Justiça.

O que é a Ficco/DF?

É a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal, que reúne Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Polícia Militar em operações contra a logística de facções.

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