Beatriz Elissandra Marques Carvalho, de 24 anos, conheceu a vítima em um bar, levou o homem para sua casa e o submeteu a horas de agressões com faca e isqueiro. Justiça converteu flagrante em prisão preventiva.
Uma mulher de 24 anos foi presa em flagrante após dopar, amarrar, torturar e roubar um homem de 54 anos em Ceilândia, no Distrito Federal. O caso, que chocou moradores da região, teve início na noite de terça-feira (24/2) e se estendeu até a manhã seguinte, quando a própria suspeita foi até uma unidade de saúde procurar a vítima para, segundo ela mesma declarou aos policiais, “terminar o serviço”.
Como o crime aconteceu
Tudo começou em um bar localizado na QNM 6, em Ceilândia Norte. De acordo com a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Beatriz Elissandra Marques Carvalho e a vítima consumiram bebidas alcoólicas juntos no estabelecimento e, em seguida, foram para a residência dela, localizada a poucos metros do local.
Já dentro do imóvel, a suspeita misturou clonazepam — um sedativo de uso controlado — em uma garrafa de água e ofereceu à vítima. Ao perceber que o homem não perdeu a consciência como esperado, Beatriz passou a agredi-lo fisicamente. Segundo os depoimentos colhidos pela polícia, ela amarrou o homem, pisou em seu pescoço e peito, chutou sua cabeça contra um móvel e utilizou uma faca e um isqueiro para intensificar a tortura.
A suspeita gravou parte das agressões em vídeo. Nas imagens, ela aparece de máscara enquanto exibe objetos usados na tortura, incluindo o isqueiro aceso próximo ao pescoço da vítima.
Vítima conseguiu escapar e buscar socorro
Mesmo com fraturas em duas costelas e múltiplos ferimentos na cabeça e no rosto, o homem conseguiu se soltar das amarras e fugir. Segundo relato do proprietário do bar, que tomou conhecimento do caso por vídeos compartilhados em um grupo de WhatsApp, outras pessoas chegaram à residência da suspeita e ajudaram a cortar as amarras da vítima. Beatriz já havia fugido naquele momento.
O homem foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros (CBMDF) e encaminhado ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde recebeu atendimento por três perfurações na cabeça. Apesar da gravidade das lesões, ele não corria risco de morte e já obteve alta médica.
Suspeita foi até a UPA procurar a vítima
Na manhã de quarta-feira (25/2), Beatriz se dirigiu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia à procura do homem. Aos profissionais de saúde, ela afirmou ter cometido um homicídio. A equipe médica acionou a Polícia Militar.
Quando os policiais chegaram, a mulher confessou os crimes e exibiu voluntariamente fotos e vídeos armazenados em seu celular que comprovavam as agressões. Visivelmente alterada, ela teria declarado que queria saber se a vítima havia morrido e que, caso contrário, iria “terminar de matá-lo”.
Polícia investiga segunda vítima
Na residência da suspeita, os policiais encontraram vestígios de sangue, uma faca usada nas agressões, além de um notebook e documentos pessoais que não pertenciam à vítima do dia 24. As investigações apontam que esses pertences são de uma segunda pessoa, que teria sido dopada por Beatriz no dia 23 de fevereiro — um dia antes do crime principal.
O que decidiu a Justiça
Beatriz foi autuada em flagrante na 15ª Delegacia de Polícia de Ceilândia. O registro inicial foi por roubo com restrição de liberdade da vítima e cárcere privado, mas a PCDF também apura os crimes de tortura, extorsão e tentativa de homicídio.
Em audiência de custódia, o juiz do Núcleo de Audiências de Custódia converteu o flagrante em prisão preventiva. Na decisão, o magistrado destacou a extrema gravidade dos fatos, o sofrimento imposto à vítima e o risco concreto à ordem pública. O processo foi encaminhado à 1ª Vara Criminal de Ceilândia, onde seguirá tramitando.







