dom, 18 out
Economia

Minerais críticos empregam 129 mil no Brasil; portal da ANM abre os dados por município

O setor de minerais críticos soma 129.423 empregos, 57% da mineração brasileira. O portal da ANM mostra emprego, salário, terras raras e ouro por estado e município.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Vista aérea de mina a céu aberto com caminhões fora de estrada em estrada em espiral; foto ilustrativa
Foto: Mark Thomas/Pexels (ilustrativa)
Neste texto4 tópicos
  1. Quais estados mais empregam em minerais críticos?
  2. Quem trabalha no setor e quanto ganha?
  3. O que o portal mostra sobre terras raras e ouro?
  4. Como consultar os dados?

O setor de minerais críticos e estratégicos manteve 129.423 empregos formais no Brasil em 2025, 57% dos 226.634 postos da indústria extrativa mineral, segundo o Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, que a Agência Nacional de Mineração (ANM) lançou em Brasília na quarta-feira (14). Sobre 2023, o número cresceu 8,6%.

Foi a primeira vez que a ANM reuniu num só endereço dados de produção, pesquisa, comércio exterior e emprego do setor. "Até agora, as informações encontravam-se dispersas, mas trabalhamos para disponibilizá-las de forma mais simples e transparente", disse o diretor-geral da agência, Mauro Sousa, no lançamento.

Quais estados mais empregam em minerais críticos?

Minas Gerais lidera com 62.631 postos de trabalho, mais que o dobro do Pará (27.047). A Bahia vem em terceiro, com 9.147. Entre os municípios, Parauapebas (PA) tem 8.234 empregos no setor, Nova Lima (MG) 8.218 e Congonhas (MG) 7.114.

Gráfico de barras com empregos em minerais críticos em 2025: Minas Gerais 62.631, Pará 27.047 e Bahia 9.147
Minas Gerais concentra 62.631 dos 129.423 empregos do setor, segundo o portal da ANM.Gráfico: SouBrasília, com dados da ANM

A mineração de ferro responde pela maior parte do emprego: 70.027 vagas. Os metais preciosos somam 21.313. A lista oficial de minerais críticos, definida pelo Ministério de Minas e Energia em 2021, inclui ainda alumínio, cobre, nióbio, lítio, níquel e terras raras.

Quem trabalha no setor e quanto ganha?

  • Homens: 100.765 postos, 78% do total.
  • Mulheres: 28.658 postos, 22%.
  • Ensino superior: 30.707 trabalhadores, dos quais 11.647 são mulheres.
  • Salário médio, ensino fundamental: R$ 3.218.
  • Salário médio, ensino médio: R$ 4.142.
  • Salário médio, ensino superior: R$ 11.856.

Os dados de emprego vêm da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. A Agência Brasil divulgou o recorte do mercado de trabalho neste domingo (18).

O que o portal mostra sobre terras raras e ouro?

O painel também traz números de produção. Em terras raras, o Brasil produziu 326 toneladas de concentrado de óxidos em 2025, exportou US$ 14,9 milhões e importou US$ 30,6 milhões em óxidos e ímãs. Segundo a nota da ANM, as autorizações de pesquisa para terras raras cresceram 485,4% entre 2021 e 2025.

Hoje o país tem quatro áreas com lavra ativa de terras raras, todas em Goiás, vizinho do Distrito Federal. Há ainda 78 áreas com relatório final de pesquisa aprovado ou pedido de lavra em andamento e 3.067 em fase de pesquisa. A agência atribui o intervalo entre reserva e produção às etapas de pesquisa, licenciamento ambiental e investimento.

No ouro, são 504 lavras com produção ativa. O Brasil produziu 71,1 toneladas de ouro beneficiado em 2025, num valor de R$ 41,7 bilhões, e exportou US$ 6,59 bilhões. No conjunto da mineração, havia 1.012 áreas em produção, com R$ 250,4 bilhões de valor gerado.

Como consultar os dados?

A ANM começou a desenhar a plataforma em maio de 2025, em parceria com a empresa Imagem Geosistemas, segundo a superintendente de Economia Mineral e Geoinformação, Inara Barbosa. Ela afirma que a integração das bases de dados "não foi simples", mas que o resultado torna as informações sobre mineração mais acessíveis. O portal traz um quadro de produção para 24 substâncias, entre elas ferro, cobre, ouro, alumínio, nióbio, lítio e grafita.

O portal funciona com mapas, painéis e filtros por substância e por município, e cruza bases da ANM, do Serviço Geológico do Brasil, da Secretaria de Comércio Exterior e do Ministério do Trabalho. O acesso está no menu "Minerais Críticos e Estratégicos" do site da ANM, em gov.br/anm. A ferramenta chega semanas depois da aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Para entender como a política e a disputa por terras raras chegaram ao Congresso, veja também a votação do projeto de minerais críticos na Câmara e a reportagem sobre terras raras e minerais estratégicos no Brasil. Os números do portal são atualizados pela ANM, e a consulta por município permite checar o peso do setor em cada região produtora.

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