O governo do Irã e o grupo Hezbollah atribuíram o cessar-fogo no Líbano à união do chamado Eixo da Resistência, formado por organizações que se opõem à política de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio. A leitura contraria o presidente americano Donald Trump, que vinha capitalizando a trégua como resultado da ação da Casa Branca.
“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação”, afirmou comunicado do Hezbollah divulgado pela TV Al-Manar. Segundo os dados do próprio grupo, a organização realizou 2.184 operações militares em 45 dias de conflito, iniciado em outubro de 2023, e só aceitou o cessar-fogo após o descumprimento israelense do acordo assinado em novembro de 2024.
No Parlamento iraniano, o deputado Mohammed B. Ghalibaf disse que o cessar-fogo “não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência”. O porta-voz das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, reforçou que a trégua deriva dos “esforços diplomáticos de Teerã” ao longo das negociações iniciais.
Antes do cessar-fogo, o Irã havia exigido que a situação do Líbano fosse contemplada nas tratativas com Washington. Após o acordo, Teerã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz a navios comerciais, medida posteriormente revertida. A duração inicial do cessar-fogo é de dez dias, segundo a Casa Branca, com possibilidade de extensão.








