Ex-médico é condenado a 46 anos por incendiar apartamento e causar morte da própria mãe no DF

março 23, 2026

Ex-médico é condenado a 46 anos por incendiar apartamento e matar a própria mãe no DF

Um ex-médico foi condenado a 46 anos de prisão pelo Tribunal do Júri do Distrito Federal após ser considerado culpado pela morte da própria mãe, uma idosa de 94 anos, vítima de um incêndio criminoso dentro do apartamento onde vivia, em Águas Claras.

O crime, ocorrido em maio de 2024, chocou moradores da região pela brutalidade e pelas circunstâncias em que foi executado. Segundo as investigações, o incêndio foi provocado de forma intencional no quarto da vítima, que estava acamada e não tinha condições de escapar.

Como o crime aconteceu

De acordo com as apurações da Polícia Civil, o fogo teve início diretamente na cama onde a idosa se encontrava. A vítima, extremamente debilitada, não conseguiu reagir nem pedir ajuda, morrendo no local em decorrência das chamas.

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas, ao chegarem ao apartamento, encontraram o incêndio já em estágio avançado. A perícia técnica apontou indícios claros de que o fogo não foi acidental.

Laudos periciais confirmaram a presença de elementos que indicam ação criminosa, reforçando a tese de que o incêndio foi provocado de forma deliberada.

Motivação do crime

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a motivação do crime foi financeira.

O ex-médico estaria insatisfeito com a perda do controle sobre a curatela da mãe, o que significava deixar de administrar seus bens e rendimentos. A mudança teria gerado conflitos familiares e, posteriormente, levado ao crime.

Para o MP, a ação foi planejada com o objetivo de eliminar a vítima e recuperar o controle financeiro sobre o patrimônio.

Tentativa de enganar a investigação

Além do homicídio, o réu também foi condenado por fraude processual.

As investigações apontaram que ele tentou alterar a cena do crime para simular um incêndio acidental, dificultando o trabalho da perícia e tentando despistar as autoridades.

Essa tentativa de manipulação foi considerada um agravante no julgamento.

Julgamento e decisão da Justiça

Durante o julgamento, os jurados reconheceram diversas qualificadoras, que aumentaram significativamente a pena:

  • Uso de meio cruel (incêndio)
  • Impossibilidade de defesa da vítima
  • Crime cometido contra pessoa idosa e vulnerável
  • Motivação considerada torpe

Com base nesses fatores, o ex-médico foi condenado a 46 anos de prisão, em regime inicial fechado.