O Distrito Federal tem 32 candidatos a deputado distrital que vieram das forças de segurança e das Forças Armadas na eleição de 4 de outubro, segundo levantamento publicado nesta terça-feira (18) pelo Metrópoles com base nos registros do DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O grupo disputa as 24 cadeiras da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) é a corporação com mais nomes na disputa: 15 candidatos. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) aparece em seguida, com nove. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) tem quatro candidatos, e as Forças Armadas, dois. Outros dois nomes do levantamento são militares reformados: Adalberto Carvalho (PSDB) e o sargento Paulo Roberto (Podemos).
Como os candidatos se distribuem entre os partidos
Nenhuma legenda concentra o grupo. O Podemos é o partido com mais candidatos oriundos da segurança pública, com seis nomes. Solidariedade e Mobiliza aparecem com três cada. Democrata e PSD registraram dois candidatos cada um. O restante está espalhado por União Brasil, Avante, MDB, PT, Republicanos e Novo, entre outras siglas.
A dispersão tem efeito prático na conta eleitoral. Como a eleição para a CLDF é proporcional, o desempenho individual só se converte em cadeira depois que a coligação ou o partido atinge o quociente eleitoral. Com os candidatos espalhados por dez ou mais legendas, votos de um mesmo eleitorado corporativo podem acabar somando para partidos diferentes.
Confira o retrato do grupo:
- PMDF: 15 candidatos, o maior contingente
- PCDF: nove candidatos
- CBMDF: quatro candidatos
- Forças Armadas: dois candidatos
- Militares reformados: dois candidatos
- Total: 32 nomes para 24 vagas na CLDF
Por que a segurança pública pesa na eleição do DF
O peso do setor na política local não é novidade. A capital concentra as três corporações distritais e um contingente de servidores que, somado a familiares e aposentados, forma um eleitorado com pauta própria: reajuste salarial, plano de saúde, promoções, efetivo, escala e aposentadoria especial. Esses temas voltam à CLDF em toda legislatura, seja em projeto de lei, seja em audiência pública.
Há ainda o efeito de identidade. Candidatos que usam patente, cargo ou apelido corporativo no nome de urna chegam à campanha com reconhecimento pronto em uma parcela do eleitorado, o que reduz o custo de comunicação nas primeiras semanas.
O policial ou bombeiro da ativa que decide disputar a eleição precisa se afastar do cargo dentro dos prazos da legislação eleitoral. A regra de desincompatibilização vale para servidores públicos em geral e é verificada pela Justiça Eleitoral na análise do registro. O DivulgaCand mostra a situação de cada candidatura, incluindo os pedidos ainda pendentes de julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
Para o militar, a exigência está na própria Constituição. O parágrafo 8º do artigo 14 diz que o militar alistável é elegível, mas com duas condições: se tiver menos de dez anos de serviço, deve afastar-se da atividade; se tiver mais de dez anos, é agregado pela autoridade superior e, se eleito, passa automaticamente para a inatividade no ato da diplomação. A regra alcança policiais militares e bombeiros militares, que são militares dos estados e do DF.
Na prática, isso significa que o candidato da PMDF ou do CBMDF com carreira longa não perde o vínculo ao se candidatar, mas deixa de contar como efetivo em atividade durante a disputa. Já o civil da PCDF segue a regra geral de afastamento aplicável ao servidor público.
O número dentro do total de candidaturas do DF
Os 32 nomes fazem parte de um universo maior. O DF registrou 640 candidaturas para a eleição deste ano, incluindo governo, Senado, Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa. A relação entre candidatos e vagas é a mais apertada justamente na disputa distrital, onde a concorrência por cadeira supera a média das demais eleições locais.
Leia também: DF tem 640 candidaturas registradas e dez postulantes ao governo.
O que ainda pode mudar até outubro
A lista não está fechada. Registros podem ser impugnados, indeferidos ou desistir da disputa até a data limite fixada pela Justiça Eleitoral. Candidatos com processo em andamento aparecem no sistema do TSE com a situação em análise, e a definição pode sair depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
O eleitor pode conferir a íntegra da lista, com nome de urna, número, partido, bens declarados e situação do registro, no DivulgaCand, no site do TSE. A consulta é gratuita e traz também as prestações de contas de campanha à medida que são enviadas.
A votação para deputado distrital ocorre em 4 de outubro, no mesmo dia da escolha de governador, senador, deputado federal e presidente da República. O eleitor do DF vota em cinco cargos.








