Delegado de GO que ficou tetraplégico após acidente recebe tratamento com polilaminina

fevereiro 26, 2026

O delegado Leonardo Sanches, de 44 anos, tornou-se o primeiro goiano a receber tratamento experimental com polilaminina, uma substância com potencial para auxiliar na recuperação de lesões medulares. O procedimento foi realizado em janeiro no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia (GO), por uma equipe especializada que coordena a pesquisa clínica da nova terapia.

Leonardo ficou tetraplégico após um grave acidente de carro em julho de 2025 e conseguiu acesso à polilaminina por meio de decisão judicial, já que o tratamento ainda está em fase de estudo e não é amplamente disponível. Apesar de ser um processo inicial, familiares e médicos estão esperançosos de que a terapia possa reduzir as sequelas da lesão medular e, com o tempo, trazer ganhos motores que possibilitem movimentos mais amplos ou até a recuperação da marcha.

Acidente que causou tetraplegia no delegado

O acidente aconteceu em 31 de julho de 2025, na rodovia GO-330, entre Silvânia e Leopoldo de Bulhões (GO). A viatura da Polícia Civil capotou quando o motorista tentou desviar de um caminhão que teria invadido a pista — situação que resultou na morte do policial civil Ananias Batista (52 anos) e da estagiária Amanda Monteiro (19 anos). O delegado Leonardo Sanches e outra estagiária sobreviveram, mas ele sofreu lesão medular grave, deixando-o tetraplégico.

Após o acidente, ele passou 56 dias internado em hospitais de Anápolis e Goiânia, recebendo alta em setembro de 2025. No entanto, a lesão na medula resultou em tetraplegia, ou perda de movimento e sensação nos membros.

O que é polilaminina e como funciona o tratamento

A polilaminina é um tipo de biomaterial sintético inspirado na laminina — proteína que faz parte da matriz extracelular do sistema nervoso e desempenha papel importante na regeneração neural. Ela foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem como objetivo favorecer a reconstrução da medula espinhal após lesões traumáticas.

Essa substância atua reduzindo a inflamação e criando um ambiente no tecido lesionado que facilita a sobrevivência celular e o crescimento de fibras nervosas. A expectativa é que ela possa reconectar partes danificadas do tecido nervoso, o que poderia resultar em melhorias parciais na mobilidade e na sensibilidade das áreas afetadas.

Estado da pesquisa clínica no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em janeiro de 2025, o início de estudos clínicos de fase 1 com polilaminina — etapa que avalia principalmente a segurança do tratamento em humanos. Caso os resultados sejam positivos, a pesquisa poderá avançar para fases posteriores, que testam eficácia e protocolos de uso mais amplos.