Menos de duas semanas após assumir o governo do Distrito Federal, Celina Leão (PP) já deu uma das respostas mais contundentes à crise instalada no Banco de Brasília (BRB): a governadora mandou demitir 12 gestores da instituição — entre diretores e superintendentes — que ainda mantinham vínculos com a gestão anterior, investigada pelos negócios com o Banco Master que geraram prejuízo bilionário ao banco público. A decisão não foi um gesto político vazio. O afastamento teve como base um relatório técnico produzido pela auditoria independente contratada pela Kroll e pelo escritório Machado Meyer Advogados, que apontou o envolvimento de funcionários em cargos de chefia nas negociações consideradas irregulares com o Master. A suspeita é grave: esses servidores teriam pressionado pela aquisição de ativos problemáticos do Banco Master mesmo tendo conhecimento de que se tratava de carteiras fraudulentas.
Entre os afastados estão nomes que ocupavam posições estratégicas no banco. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, comunicou pessoalmente a destituição aos dois diretores remanescentes da administração anterior: Diogo Ilário de Araújo Oliveira, que comandava a Diretoria Executiva de Atacado e Governo, e José Maria Corrêa Dias Júnior, diretor executivo de Tecnologia. Como são servidores concursados, permanecem no banco em outras funções, mas perdem os cargos de chefia.
Celina foi direta ao explicar a medida. “Todo mundo tem direito ao contraditório, mas essas pessoas não podem continuar em cargos de confiança em meio às investigações. Os afastamentos são necessários para dar transparência ao processo”, afirmou a governadora.
Em nota oficial, o GDF reforçou o tom equilibrado da decisão: a medida “não representa qualquer antecipação de julgamento e respeita o direito ao contraditório e à ampla defesa dos envolvidos”, tendo como objetivo garantir que as investigações ocorram “com independência, sem interferências, e com total responsabilidade institucional”.
O tamanho do problema herdado é considerável. A compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master — liquidado em novembro de 2025 — envolve ativos superfaturados ou inexistentes, e gerou um problema de liquidez no banco que agora exige R$ 8,8 bilhões em aumento de capital.
Mesmo diante de um cenário de tamanha gravidade, Celina não recuou. Além dos afastamentos, a governadora foi à Faria Lima buscar soluções para a crise e se reuniu com o presidente do Banco Central, além de abrir diálogo com o ministro da Fazenda Dario Durigan em busca de equilíbrio fiscal para o BRB.
O BRB confirmou à CNN a ordem da governadora e informou que outros nomes eventualmente identificados pela auditoria como responsáveis por fraudes também serão afastados. O relatório final da auditoria deve ser divulgado em breve.
O recado de Celina Leão está dado: quem estava no comando quando o BRB foi levado à beira do colapso não vai continuar ocupando cadeira no banco. A nova gestão chegou para limpar a casa — e começou pelos andares de cima.







