Câmara dos EUA acusa Moraes de perseguir adversários de Lula

abril 6, 2026

Um relatório da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pelo Partido Republicano, acusa o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de implementar censura contra opositores do presidente Lula no Brasil. O documento, publicado em 1º de abril, pode influenciar futuras medidas legislativas e diplomáticas dos EUA em relação ao Brasil.

O que diz o relatório americano

O Comitê Judiciário da Câmara dos EUA publicou um relatório extenso sobre as ações de Alexandre de Moraes no STF. Segundo o documento, “o ministro Moraes tenta silenciar opositores políticos. Muitas das ordens de censura do ministro Moraes têm como alvo seus adversários políticos e os do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tanto no Brasil quanto no exterior”.

O relatório foi elaborado com o objetivo de subsidiar debates no Congresso americano sobre ações de governos estrangeiros relacionadas à liberdade de expressão e à regulação de plataformas digitais.

Entre os casos citados no documento está o do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria recebido múltiplas ordens do ministro Moraes entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Eduardo Bolsonaro é citado no documento

Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos, é mencionado como um dos alvos das ações de Moraes. O ex-deputado tem defendido publicamente que o governo americano aplique sanções contra o ministro do STF.

Recentemente, Moraes intimou Eduardo a prestar esclarecimentos sobre um vídeo gravado com apoiadores nos EUA. A situação aumentou a tensão entre os dois países sobre a questão da liberdade de expressão no ambiente digital.

O caso de Eduardo é apenas um dos exemplos listados no relatório, que busca documentar o que a Câmara americana classifica como padrão de perseguição judicial a opositores no Brasil.

Contexto político entre Brasil e EUA

O relatório se insere em um contexto de crescente tensão entre Brasil e Estados Unidos sobre questões de liberdade digital e regulação de plataformas. O governo americano, sob a administração de Donald Trump, tem se mostrado cada vez mais vocal sobre o que considera ameaças à liberdade de expressão em outros países.

Do lado brasileiro, o STF tem defendido suas ações como necessárias para combater a desinformação e proteger a democracia. Moraes conduziu o inquérito das fake news e o inquérito das milícias digitais, que resultaram na prisão e no indiciamento de diversos aliados do ex-presidente Bolsonaro.

A repercussão do relatório americano pode complicar as relações diplomáticas entre os dois países, especialmente em um ano eleitoral no Brasil.

Impacto nas relações Brasil-EUA

Analistas apontam que o documento pode ser usado para fundamentar futuras ações do Congresso americano, como audiências públicas, projetos de lei sobre regulação de plataformas digitais ou até medidas diplomáticas contra autoridades brasileiras.

O Itamaraty ainda não se pronunciou oficialmente sobre o relatório. O STF também não comentou as acusações feitas pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

O caso reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário brasileiro e a influência de atores estrangeiros em questões internas do país.