A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu quatro pessoas em flagrante na quinta-feira (16) durante a Operação Revoada, que desarticulou um esquema de tráfico de drogas montado dentro de uma distribuidora de bebidas em Ceilândia.
A ação foi coordenada pela 23ª Delegacia de Polícia (P Sul), que cumpriu nove mandados de busca e apreensão na região. Entre os presos estão três homens e uma mulher. Segundo o Correio Braziliense, o principal alvo funcionava na QNN 4.
Como funcionava o esquema na distribuidora
De acordo com as investigações da PCDF, o comércio de bebidas servia de fachada. Os donos do estabelecimento são apontados como líderes do grupo e contavam com funcionários da própria distribuidora para vender os entorpecentes aos usuários da região.
A movimentação constante de clientes no balcão disfarçava a venda de drogas, que acontecia de forma contínua dentro da estrutura comercial, segundo a Polícia Civil.
A rotina aparentemente normal do comércio dificultava a identificação do crime por quem passava pelo local. A droga ficava armazenada no próprio estabelecimento, misturada à operação legal de venda de bebidas.
O que foi apreendido
O balanço divulgado pela PCDF lista drogas, arma, dinheiro e equipamentos usados pelo grupo:
- Mais de 3 quilos de cocaína
- Porções de maconha
- Cerca de R$ 110 mil em dinheiro vivo
- Uma pistola Glock adulterada para disparos em rajada
- Munições e balanças de precisão
- Materiais de embalagem de entorpecentes e celulares
A pistola com kit de rajada chama atenção dos investigadores. A adaptação transforma a arma semiautomática em automática, com capacidade de disparos em sequência, e agrava a situação jurídica de quem a mantinha.
Os suspeitos vão responder por tráfico de drogas, organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. As investigações continuam para identificar fornecedores e outros envolvidos no esquema.
Penas previstas podem passar de 20 anos somadas
Os crimes atribuídos ao grupo carregam penas altas. O tráfico de drogas, previsto na Lei 11.343/2006, prevê reclusão de 5 a 15 anos. A organização criminosa, tipificada na Lei 12.850/2013, soma reclusão de 3 a 8 anos. O porte de arma de fogo de uso restrito, caso da pistola com kit de rajada, tem pena de 3 a 6 anos pelo Estatuto do Desarmamento.
Presos em flagrante, os quatro passam por audiência de custódia, quando a Justiça decide entre prisão preventiva e medidas cautelares. Em casos de tráfico com arma e grande quantidade de droga, a conversão do flagrante em preventiva é o desfecho mais comum.
Tráfico em comércio de fachada se repete no DF
O uso de estabelecimentos comerciais como cobertura para a venda de drogas não é novidade na região. Em maio, a Operação Eiron mirou núcleos do tráfico em Samambaia e Ceilândia, também com prisões e apreensões em endereços ligados a atividades aparentemente regulares.
Para a polícia, a fachada comercial cumpre duas funções: justifica a circulação de pessoas e dinheiro e dá aparência de normalidade ao ponto de venda. A quebra desse disfarce costuma depender de campanas, monitoramento e denúncias de moradores.
Ceilândia, a região administrativa mais populosa do DF, concentra parte relevante das ações de repressão às drogas da PCDF. A 23ª DP, responsável pela Operação Revoada, atende justamente o setor P Sul, uma das áreas de maior adensamento da cidade.
Denúncias sobre pontos de venda de drogas podem ser feitas pelo telefone 197, da Polícia Civil, ou pelo Disque-Denúncia. O anonimato é garantido.
Os quatro presos foram levados à delegacia e ficam à disposição da Justiça. Cabe agora ao Ministério Público analisar o caso e decidir sobre a denúncia. Os investigados são considerados suspeitos e têm direito à presunção de inocência até decisão judicial definitiva.








