O Hamas anunciou no dia 6 a dissolução do governo que mantinha na Faixa de Gaza e a entrega da administração do território ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão técnico criado sob a Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU.
O anúncio encerra quase duas décadas de controle do grupo sobre o território palestino e faz parte do plano de paz de 20 pontos mediado pelos Estados Unidos, que resultou no cessar-fogo firmado no ano passado. Segundo a agência Al Jazeera, o chefe da administração do Hamas em Gaza, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo no mesmo dia.
“O Hamas deu um novo passo: não estará mais no comando da Faixa de Gaza”, afirmou o porta-voz do grupo, Hazem Qassem, em declaração reproduzida pela Al Jazeera.
O que é o NCAG
O comitê foi formado em janeiro de 2026 como autoridade de transição composta por tecnocratas palestinos, apresentados como quadros neutros e sem filiação partidária. O órgão deve cuidar de temas civis, como saúde e segurança pública, sob supervisão internacional.
À frente do grupo está o comissário interino Ali Shaath, que reagiu ao anúncio com uma promessa de trabalho imediato:
“Afirmamos que o comitê está plenamente preparado para assumir suas responsabilidades nacionais”, declarou Shaath, segundo a Al Jazeera.
Na prática, porém, a transição ainda não saiu do papel. Israel não autorizou a entrada dos integrantes do comitê na Faixa de Gaza, e o NCAG opera provisoriamente a partir do Cairo, no Egito, de acordo com a emissora France 24.
O que ficou de fora do anúncio
O comunicado do Hamas não tratou do desarmamento do grupo, exigência central da segunda fase do acordo de paz. Os pontos em aberto incluem:
- Desarmamento: o grupo mantém seu braço armado e não fixou prazo para entregar as armas;
- Acesso do comitê: Israel ainda barra a entrada dos tecnocratas no território;
- Governança futura: Israel rejeita tanto a permanência do Hamas quanto o controle direto da Autoridade Palestina neste momento;
- Reconstrução: o processo de paz perdeu ritmo e os bombardeios sobre o território continuaram, segundo a Al Jazeera.
Para Nickolay Mladenov, representante do Conselho de Paz para Gaza previsto no acordo, o comitê “é a ponte entre as declarações e a implementação”, conforme declaração citada pela Al Jazeera.
Próximos passos
A expectativa das partes envolvidas é que a mediação americana destrave a entrada do NCAG no território nas próximas semanas. Sem isso, a dissolução anunciada pelo Hamas tende a permanecer um gesto político, com os serviços locais operando no vácuo entre a saída de um governo e a chegada do outro.
O desdobramento também pressiona a agenda da segunda fase do acordo, que depende do desarmamento para avançar rumo à reconstrução. Acompanhe a cobertura internacional do SouBrasília, como a análise sobre a escalada militar de Israel no Líbano.








