O Brasil tem 8,4 milhões de analfabetos, o menor número registrado desde 2016, segundo o IBGE. O dado indica recuo no contingente de pessoas que não sabem ler e escrever e marca o patamar mais baixo desde o início dessa série de comparação.
O analfabetismo é medido pelo IBGE entre as pessoas com idade a partir de um determinado corte que declaram não saber ler nem escrever. O acompanhamento desse indicador ao longo dos anos permite avaliar se o país avança ou estagna no acesso à educação básica. A pesquisa é feita por amostragem, com entrevistas em domicílios espalhados por todo o território nacional.
Chegar ao menor número desde 2016 mostra uma trajetória de queda. Ainda assim, falar em 8,4 milhões de pessoas é falar de um contingente expressivo, equivalente à população de cidades inteiras, que enfrenta barreiras concretas no dia a dia, do mercado de trabalho ao acesso a serviços.
O que significa reduzir o analfabetismo
Saber ler e escrever é uma porta de entrada para outros direitos. Quem domina a leitura tem mais condições de buscar emprego, entender contratos, acompanhar informações de saúde, ler bulas de remédio e participar da vida pública com autonomia. A falta dessa habilidade limita escolhas e expõe a pessoa a abusos e golpes.
Há ainda o chamado analfabetismo funcional, que descreve quem até reconhece letras e palavras, mas tem dificuldade de interpretar um texto e usar essa informação no cotidiano. É um problema distinto do analfabetismo absoluto medido nesse número, e que costuma alcançar um grupo ainda maior de pessoas.
A redução do número de analfabetos costuma estar ligada ao alcance da educação ao longo das décadas. Gerações mais novas tendem a chegar à escola em maior proporção, o que ajuda a explicar a queda gradual do indicador ao longo do tempo. Conforme as gerações mais velhas, que tiveram menos acesso ao ensino, vão sendo substituídas por outras mais escolarizadas, a média do país melhora.
O problema também tem peso geracional e regional. Entre as pessoas mais idosas, a proporção de quem nunca foi alfabetizado é bem maior do que entre os jovens, reflexo de uma época em que a escola não chegava a todos. Da mesma forma, áreas rurais e regiões com menos investimento histórico em educação concentram boa parte dos casos que ainda restam.
Mesmo com o avanço, o desafio não está encerrado. A alfabetização de adultos exige políticas específicas, já que parte das pessoas que ainda não lê nem escreve está fora da idade escolar tradicional e precisa de programas voltados a esse público, com horários e métodos adequados a quem já trabalha.
Contexto da alfabetização no país
O número divulgado pelo IBGE serve de termômetro para o debate sobre educação. Acompanhar a evolução do dado ajuda a entender se as iniciativas de alfabetização estão produzindo resultado e onde ainda há concentração do problema, já que ele não se distribui de forma igual entre regiões e faixas etárias.
Quem quer buscar a alfabetização na vida adulta pode procurar a secretaria de educação do seu município, que costuma oferecer turmas de educação de jovens e adultos, além de programas voltados a quem nunca frequentou a escola ou parou os estudos cedo.
Pontos para entender o cenário:
- O país tem 8,4 milhões de analfabetos;
- É o menor número registrado desde 2016;
- O indicador é medido e divulgado pelo IBGE por amostragem;
- O analfabetismo funcional é um problema distinto e adicional;
- A queda aponta avanço, mas o contingente segue expressivo.
Para acompanhar outros indicadores e análises sobre educação, acesse a cobertura completa no SouBrasília. O próximo passo do debate é entender como sustentar a queda e ampliar os programas de alfabetização.








