Mulheres e meninas vítimas de violência sexual enfrentam um risco 74% maior de desenvolver problemas cardíacos, segundo pesquisa publicada na revista Cadernos de Saúde Pública. O estudo utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, realizada pelo IBGE com base em mais de 70 mil entrevistas representativas da população brasileira.
Mulheres que sofreram violência sexual apresentaram maiores índices de infarto do miocárdio e arritmias em comparação com não-vítimas. Eduardo Paixão, pesquisador da Universidade Federal do Ceará, explica que o estresse decorrente do trauma “aumenta a inflamação do organismo, com a ativação de toxinas que podem acelerar esse processo de doença cardiovascular. Experiências traumáticas também podem alterar a pressão arterial e a frequência cardíaca.” Vítimas também desenvolvem com mais frequência tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e alimentação inadequada.
Conforme a Pesquisa Nacional de Saúde, 8,61% das mulheres relataram ter sofrido violência sexual ao longo da vida, contra 2,1% dos homens. Pesquisadores alertam que o dado subestima a realidade, pois nem todas as vítimas se sentem confortáveis para relatar. Para Paixão, o benefício do estudo é alertar profissionais de saúde que atendem tanto vítimas de violência quanto pacientes com doenças cardiovasculares.
Fonte: Agência Brasil/EBC








