Pirarucu pode atacar banhistas e pesca é liberada no DF; entenda os riscos

abril 6, 2026

O Ibama autorizou a pesca do pirarucu em seis bacias hidrográficas do Distrito Federal, onde a espécie amazônica é considerada invasora e ameaça o ecossistema local. Embora não haja registros de ataques a humanos, biólogos alertam que o peixe, que pode atingir mais de 2 metros, apresenta comportamentos defensivos durante a época de reprodução e pode representar risco a banhistas.

Ibama libera pesca no DF e em Goiás

A autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é válida por três anos e pode ser renovada. No Distrito Federal, a regra é clara: todos os exemplares de pirarucu capturados devem ser sacrificados, sem limite de tamanho ou quantidade.

A medida faz parte de um plano nacional que abrange 11 bacias espalhadas pelo país, incluindo as regiões do Paraná e São Francisco. O objetivo é controlar a população invasora do peixe, que foi introduzido ilegalmente em águas fora da Amazônia.

Em Goiás, as regras variam por bacia: a pesca é proibida na bacia do Tocantins-Araguaia, onde o pirarucu é considerado nativo, mas liberada sem restrições nas bacias do Parnaíba e São Francisco.

Pirarucu é predador de topo e ameaça ecossistema

O pirarucu, cujo nome em tupi significa “peixe vermelho”, é o maior peixe de escamas de água doce do mundo, podendo ultrapassar 2 metros de comprimento e 100 quilos. Originário da bacia amazônica, ele funciona como predador de topo quando introduzido em ecossistemas do Cerrado.

A presença invasora da espécie ameaça peixes nativos do DF e desequilibra a cadeia alimentar das bacias locais, incluindo o Lago Paranoá. O pirarucu devora espécies menores e compete por recursos com a fauna aquática nativa.

Especialistas apontam que a introdução ilegal do pirarucu em águas do Centro-Oeste provavelmente ocorreu por meio de pisciculturas clandestinas ou soltura proposital por criadores.

Riscos para banhistas e pescadores

O biólogo Paulo Franco alerta que o pirarucu pode apresentar comportamentos defensivos agressivos, especialmente durante a época de reprodução, quando os machos protegem os filhotes. “O pirarucu pode ter comportamentos defensivos em determinadas situações”, explica o especialista.

Embora não haja registros oficiais de ataques a humanos no DF, o tamanho e a força do peixe representam risco potencial para banhistas e pescadores que se aproximem de áreas onde a espécie se reproduz.

A recomendação é que pessoas que frequentem lagos e rios do DF fiquem atentas à presença do peixe, especialmente em áreas rasas onde machos podem estar guardando ninhos.

Como contribuir para o controle da espécie

Pescadores do DF podem contribuir para o controle da espécie invasora seguindo as orientações do Ibama:

  • Todo pirarucu capturado no DF deve ser sacrificado — é proibido devolvê-lo à água
  • Não há limite de tamanho ou quantidade para a captura
  • A autorização é válida por três anos
  • Avistamentos devem ser reportados ao Ibama pelo telefone 0800-618080

A pesca do pirarucu também pode ser uma oportunidade gastronômica, já que a carne do peixe é considerada uma iguaria na culinária amazônica e pode ser comercializada legalmente.