Os filmes brasileiros que podem estar no Oscar 2027

março 31, 2026

O cinema brasileiro chegou ao Oscar com força nos últimos anos — e agora o público já começa a projetar quem pode representar o país na edição de 2027. Após o impacto internacional de Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), a safra de produções nacionais previstas para 2026 acende o debate sobre os possíveis candidatos à vaga na maior premiação do cinema mundial.

Mas o caminho até Hollywood não é automático. Especialistas ouvidos pelo Metrópoles lembram que qualidade artística é apenas um dos fatores — e não necessariamente o mais decisivo. Festivais internacionais, distribuidoras com alcance global e, sobretudo, investimento em campanha de marketing são ingredientes igualmente essenciais para transformar um bom filme numa indicação ao Oscar.

Os filmes no radar

Feito Pipa, de Allan Deberton — Estrelado por Lázaro Ramos, o longa acompanha Gugu, um menino de 11 anos que sonha em ser jogador de futebol e tenta esconder o estado de saúde da avó para evitar o reencontro com um pai que não o aceita. O filme ganhou dois prêmios no Festival de Berlim, mas especialistas ponderam que Berlim historicamente tem menos influência na corrida do Oscar do que Cannes ou Veneza.

Geni e o Zepelim, de Anna Muylaert — Baseado na obra de Chico Buarque, o filme conta a história de uma prostituta marginalizada que se vê diante de uma escolha que pode definir o destino de toda uma cidade. Seu Jorge integra o elenco.

Velhos Bandidos, de Claudio Torres — Comédia de ação com Fernanda Montenegro, Bruna Marquezine, Lázaro Ramos e Ary Fontoura. Um casal de assaltantes veteranos planeja o último grande golpe e recruta dois jovens inexperientes para o esquema. O confronto de gerações é o motor da trama.

Corrida dos Bichos, de Fernando Meirelles — Ambientado em um Rio de Janeiro distópico e tecnológico, o longa reimagina o universo do Jogo do Bicho como uma corrida de parkour de alta performance. Com Rodrigo Santoro, Bruno Gagliasso, Isis Valverde e Seu Jorge, o projeto aparece entre os apostados para circular fora do Brasil.

A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai — Documentário que acompanha meninas do sertão do Piauí navegando entre tradições familiares, desigualdade de gênero e os próprios sonhos de futuro.

100 dias, de Carlos Saldanha — Baseado na travessia real de Amyr Klink pelo Atlântico Sul a remo — partindo da África em direção ao Brasil. O papel do navegador é de Filipe Bragança.

Escola Sem Muros, de Cao Hamburger — Cinebiografia do político paulista Braz Nogueira (1928–2018), que transformou uma escola tomada pela violência urbana em um centro comunitário. Júlio Andrade é o protagonista.

Também aparecem no radar: Vicentina Pede Desculpas (Gabriel Martins), Pequenas Criaturas (Anne Pinheiro Guimarães), As Vitrines (Flavia Castro), O Homem de Ouro (Mauro Lima) e Leila e a Noite (Fellipe Barbosa).

O que realmente pesa na decisão

Para a crítica de cinema Isabella Faria, votante do Globo de Ouro, a presença em festivais como Cannes e Veneza é o primeiro passo — são nesses eventos que distribuidoras internacionais descobrem e compram filmes para o mercado americano. Mas ela é direta ao apontar o fator mais determinante: dinheiro de campanha. Sem investimento em marketing direcionado aos votantes da Academia, até um filme artisticamente superior pode ser ignorado.

O crítico Marcio Sallem, votante do Critic’s Choice Awards, reforça que histórias com apelo universal mas enraizadas em contextos locais têm mais tração — e que diretores com carreiras internacionais consolidadas, como Fernando Meirelles e Cao Hamburger, ampliam as chances de reconhecimento fora do Brasil.

Quem bate o martelo sobre o candidato oficial é a Academia Brasileira de Cinema. A decisão, segundo Isabella Faria, precisa equilibrar valor artístico com viabilidade de campanha e distribuição internacional — porque, sem essa combinação, nem o melhor filme do mundo chega à cerimônia.