Levantamento da Secretaria de Segurança Pública revela concentração dos crimes em nove regiões administrativas e aponta redução histórica nos homicídios
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O Distrito Federal registrou 28 feminicídios em 2025 — um crescimento de 27% em relação aos 22 casos contabilizados no ano anterior. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24/3) pelo 2º Anuário de Segurança Pública do DF, publicação lançada pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) na sede da Polícia Civil, em Brasília.
O documento reúne indicadores sobre criminalidade, violência e ações de segurança no território distrital, com o objetivo de orientar políticas públicas e qualificar o planejamento das forças de segurança.
Crimes se concentram em nove regiões administrativas
Um dos dados de maior relevância no levantamento é a distribuição geográfica dos casos. Segundo o anuário, 71% dos feminicídios registrados em 2025 se concentraram em apenas nove regiões administrativas do DF. As localidades com mais ocorrências foram Planaltina (3 casos), seguida por Itapoã, Núcleo Bandeirante, Recanto das Emas, Samambaia, São Sebastião, Cidade Estrutural, Sol Nascente e Taguatinga, com dois casos cada.
Os crimes foram distribuídos ao longo de todos os meses do ano, sem variação sazonal identificável.
Seis em cada dez RAs tiveram queda ou estabilidade nos casos
Apesar do crescimento no número total de vítimas, o cenário apresenta heterogeneidade quando analisado por recorte territorial. O anuário indica que 60,6% das regiões administrativas do DF registraram redução ou estabilidade nos casos de feminicídio ao longo de 2025, enquanto 39,4% apresentaram aumento — evidenciando que a violência contra a mulher se distribui de forma desigual pelo território.
Outro ponto destacado no documento é a taxa de prisão em flagrante: metade dos casos resultou na captura imediata do agressor, percentual semelhante ao verificado no ano anterior.
Secretário cobra mudança cultural no enfrentamento ao feminicídio
O secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, defendeu que o combate ao feminicídio vai além das ações de repressão e exige uma transformação profunda na sociedade. Para ele, somente a atuação integrada entre as instituições e a participação da sociedade civil é capaz de produzir resultados sustentáveis.
Avelar também ressaltou o papel estratégico da transparência na gestão de segurança pública, afirmando que a divulgação dos dados orienta decisões e reforça a responsabilização das instituições perante a sociedade.
Homicídios caem 52% em uma década no DF
Em contraponto ao avanço dos feminicídios, o anuário registra uma tendência positiva nos homicídios em geral. O DF contabilizou 221 vítimas de homicídio em 2025, o que representa uma redução de 52% em relação ao total registrado em 2016. A taxa atual é de 7,4 mortes por 100 mil habitantes, uma das mais baixas entre as unidades da federação.
O secretário atribuiu o resultado ao fortalecimento das estratégias de prevenção, ao uso de inteligência de dados no planejamento policial e à integração entre as forças de segurança atuantes no Distrito Federal.