O governo dos Estados Unidos está a dias de oficializar a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). Segundo informações obtidas pelo portal UOL junto a fontes próximas à administração americana, toda a documentação necessária já foi concluída e aprovada internamente pelo Departamento de Estado, chefiado pelo secretário Marco Rubio.
Como funciona o processo de designação
O trâmite segue o mesmo rito adotado recentemente para classificar outros grupos criminosos latino-americanos, como o Cartel de Jalisco Nueva Generación, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela. Com a análise interna encerrada e o aval dos diferentes órgãos do governo americano já obtido, a próxima etapa é o envio formal ao Congresso dos EUA e a publicação no Registro Federal — etapas que, juntas, devem levar cerca de duas semanas.
O que muda com a classificação como terroristas
A designação como FTO acarreta consequências práticas e imediatas. Entre as principais sanções estão o congelamento de ativos financeiros mantidos em território americano, o bloqueio total ao sistema bancário dos EUA e a proibição de qualquer suporte material por parte de cidadãos ou empresas norte-americanas — incluindo o fornecimento de armamentos.
Eduardo Bolsonaro nos bastidores
De acordo com o UOL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria atuado ativamente nos bastidores para pressionar pela classificação das facções brasileiras. Ele teria conversado sobre o tema com os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, buscando apoio político à iniciativa. O tema também ganhou destaque durante o evento “Shield of the Americas” (Escudo das Américas), realizado em Miami neste sábado (7), que reuniu líderes conservadores da região para tratar do combate ao narcotráfico internacional.
Governo Lula é contra a medida
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado publicamente contra a classificação. A posição oficial do Palácio do Planalto é que o PCC e o Comando Vermelho não possuem motivação política ou ideológica — característica que, segundo a gestão petista, é inerente ao conceito de terrorismo. Outro argumento levantado por autoridades brasileiras é o risco de a designação abrir espaço para maior interferência de forças americanas em operações de segurança na América do Sul, o que representaria, na visão do governo, uma ameaça à soberania nacional.








