Saiba como golpodista do aluguel passou a perna em 51 vítimas no DF e GO; veja prints

fevereiro 26, 2026

A golpodista Aline Silva da Paixão, 32 anos, deixou um rastro de vítimas no Distrito Federal e em Goiás. Ela foi presa nessa terça-feira (24/2) suspeita de aplicar uma série de golpes por meio de falsos anúncios de aluguel de imóveis. Com um modus operandis semelhante em todos os casos, a investigada está ligada a pelo menos 37 ocorrências registradas entre 2022 e 2025 no DF e a outras 14 denúncias em GO.

Conforme apurado pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), Aline fez as vítimas do DF amargarem um prejuízo que supera o montante de R$ 17,8 mil com a locação inexistente de apartamentos anunciados nas regiões de Águas Claras, no Plano Piloto e em Pirenópolis (GO).

A investigação teve início a partir de uma vítima que denunciou ter sofrido prejuízo no valor de R$ 200 em agosto do ano passado. O homem relatou que, por meio de uma plataforma de vendas, encontrou um anúncio referente a um apartamento para aluguel em Águas Claras pelo valor de R$ 1,8 mil.

Ao entrar em contato com o número do anúncio, Aline se apresentou como proprietária do imóvel. Ela solicitou documentos pessoais do possível locatário, incluindo extratos bancários, para realizar o aluguel.

A mulher teria insistir que, para reservar o apartamento, seria necessário realizar um Pix referente ao valor da caução de um aluguel.

Como a vítima não possuía o valor total naquele momento, realizou uma transferência de R$ 200, combinando o pagamento do restante para alguns dias depois, ocasião em que seriam entregues o contrato e as chaves do imóvel.

Na data combinada, ao chegar ao condomínio, o homem não conseguiu mais contato com Aline, nem por mensagem, nem por ligação.

Ao falar com o porteiro do prédio para verificar se a mulher era realmente proprietária do apartamento, o funcionário negar a existência de qualquer pessoa com esse nome. Poucos minutos depois, inúmerum casal que também aguardava Aline, tendo passado pelo mesmo golpe.

A investigada publicava anúncios de imóveis com fotografias atrativas e valores abaixo do mercado, exigindo pagamento antecipado a título de “reserva” ou “garantia” do imóvel.

Após o primeiro contato, as conversas eram direcionadas para aplicativos de mensagens, nos quais ela mantinha diálogo direto com as vítimas, criando senso de urgência e alegando alta procura pelo imóvel, com o objetivo de induzir o envio imediato de valores, via Pix.

Assim que o pagamento era realizado, o contato era interrompido ou as respostas se tornavam evasivas.

Ainda de acordo com as investigações, o esquema apresentava organização e adaptação constante. A suspeita operava múltiplos anúncios, simultaneamente, alternando localidades e ajustando a narrativa conforme o perfil da vítima.

De acordo com a investigação, em consulta aos dados cadastrais de chave Pix e relacionamentos bancários junto ao Banco Central, foi possível verificar que Aline foi detentora de ao menos 44 relacionamentos bancários e 55 chaves Pix.

Nessa terça (24/2), foram cumpridos mandatos de busca e apreensão, além de um mandato de prisão preventiva contra a investigada.

Durante a operação da PCDF, realizada no endereço vinculado à investigada, em Taguatinga, diversos dispositivos eletrônicos foram apreendidos, inclusive um aparelho celular que estava em uso no instante da abordagem.

Os agentes da 8ª DP constataram que ela trocava mensagens, naquele exato momento, com uma nova vítima interessada em um suposto apartamento em Águas Claras — anúncio que também se revelou inexistente —, evidenciando que o esquema permanecia ativo até o instante da prisão.

Com base nas provas já consolidadas, a investigada deverá responder por estelionato eletrônico, crime cuja pena pode chegar a até oito anos de reclusão, por cada ocorrência.

Considerando a quantidade de casos atribuídos à investigada e a possível incidência da continuidade delitiva, a pena pode ser aumentada, podendo ultrapassar 13 anos de reclusão, além de multa.