Petrobras negocia quatro blocos em Gana e amplia busca na África

agosto 22, 2026
Torres e tubulações de uma unidade de refino de petróleo vistas de baixo sob céu azul

A Petrobras entrou na fase de negociação direta dos termos dos contratos de exploração de quatro blocos em águas de Gana, na costa oeste da África. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (21) e representa mais um passo da estatal brasileira na busca por reservas fora do país.

Os quatro blocos ficam na Bacia de Keta, em área marítima. A passagem para a negociação direta ocorreu depois da aprovação do Ministério de Energia e Transição Verde de Gana, etapa necessária para que a empresa discuta cláusulas, prazos e obrigações de investimento com o governo do país africano, que tem cerca de 35 milhões de habitantes.

A manifestação de interesse foi divulgada por meio de comunicado a investidores e trata de blocos exploratórios, fase anterior à produção. A decisão integra o movimento da companhia de buscar novas fronteiras de óleo e gás, com o continente africano entre as áreas escolhidas.

Onde a estatal já está na África

Com Gana, a Petrobras passa a mirar presença em quatro países do continente. A companhia já tem participação em blocos na Namíbia, em São Tomé e Príncipe e na África do Sul, sempre em parceria com operadoras internacionais de grande porte.

  • Namíbia: contrato assinado para adquirir participação no Bloco 2613, com entrada ainda pendente de confirmação das autoridades locais; a operadora será a francesa TotalEnergies
  • São Tomé e Príncipe: participação em quatro blocos exploratórios, três deles operados pela anglo-holandesa Shell
  • África do Sul: participação no bloco Deep Western Orange Basin, operado pela TotalEnergies
  • Gana: quatro blocos na Bacia de Keta, em fase de negociação direta dos contratos

Fora da África, a estatal brasileira mantém operações na Argentina, na Bolívia, na Colômbia e nos Estados Unidos. Em junho deste ano, firmou entendimento para cooperação estratégica e técnica com a mexicana Pemex, com foco no Golfo do México.

O que isso significa para a empresa

Blocos exploratórios não são reserva provada. Entrar em uma área significa assumir o compromisso de fazer estudos sísmicos e, em geral, perfurar poços de pesquisa dentro de um prazo definido em contrato, sem garantia de encontrar petróleo em volume comercial. O retorno, quando existe, aparece anos depois.

A busca por novas áreas tem prazo. A companhia afirma que o pré-sal, de onde sai mais de 83% da produção própria de óleo e gás da empresa, deve atingir o ponto máximo e entrar em declínio por volta de 2034, caso não haja expansão das reservas. É esse horizonte que explica a corrida por fronteiras exploratórias dentro e fora do país.

A estratégia internacional convive com o esforço na costa brasileira. Nesta semana, a empresa detalhou os primeiros achados de petróleo no poço Morpho, no bloco BM-FZA-59, a 175 quilômetros do Oiapoque, no Amapá, e a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A perfuração continua para identificar a capacidade do reservatório, e análises laboratoriais vão verificar a qualidade do óleo.

Nem a companhia nem o governo ganês divulgaram cronograma de assinatura dos contratos, valores de investimento previstos ou percentual de participação da brasileira em cada bloco. Esses termos costumam ser fechados justamente na etapa de negociação direta que agora começa.

Leia também: Petrobras confirma petróleo na Foz do Amazonas a 175 km do Amapá.

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