SP registra 18 mortes por febre maculosa em 19 casos confirmados

agosto 11, 2026
Carrapato de corpo avermelhado sobre folha verde em imagem macro

O estado de São Paulo registrou 18 mortes por febre maculosa entre janeiro e julho de 2026, em um total de 19 casos confirmados no período. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e foram divulgados nesta terça-feira (11).

As mortes se concentraram nas regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo. A proporção entre mortes e casos confirmados chama atenção mesmo para uma doença conhecida pela gravidade.

Por que a febre maculosa mata tanto

A febre maculosa brasileira é transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii. O vetor mais associado à doença no país é o carrapato-estrela, comum em áreas de pasto, capim alto e proximidade de capivaras e cavalos.

O problema está no início do quadro. Os primeiros sintomas são inespecíficos e se parecem com dengue, viroses e leptospirose: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar. Quando o diagnóstico demora, o antibiótico entra tarde.

“A mortalidade pode chegar a 80% quando o tratamento antibiótico não é iniciado rapidamente. A doença provoca uma inflamação dos vasos sanguíneos que pode comprometer rins, fígado e cérebro”, explicou o infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Israelita Albert Einstein.

A partir do terceiro dia costumam surgir manchas avermelhadas na pele. Em quadros avançados aparecem lesões arroxeadas, principalmente em mãos e pés, gangrena nos dedos e nas orelhas e paralisia progressiva que começa pelas pernas.

Sinais de alerta e o que fazer

A recomendação médica é objetiva: quem teve contato com área de mata, pasto ou trilha nos últimos 15 dias e apresenta febre alta deve informar essa exposição ao médico. O histórico muda a conduta e antecipa o antibiótico.

  • Febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa e dor no corpo
  • Manchas avermelhadas na pele a partir do terceiro dia de febre
  • Lesões arroxeadas em mãos e pés
  • Fraqueza nas pernas que evolui para dificuldade de andar
  • Relato de passeio recente em mata, trilha, haras ou área com capivaras

Como se proteger em passeio de fim de semana

A prevenção é comportamental. Em área de risco, a orientação da Secretaria de Saúde de São Paulo é usar calça comprida, botas e roupas claras, que facilitam ver o carrapato antes da picada.

  • Inspecionar o corpo e as roupas após caminhadas em mata ou pasto
  • Proteger cães com coleiras e produtos antiparasitários
  • Retirar o carrapato com pinça, sem esmagar o corpo do animal
  • Lavar o local da picada com água e sabão ou álcool
  • Procurar atendimento médico ao primeiro sinal de febre depois da exposição

O carrapato precisa ficar aderido à pele por algumas horas para transmitir a bactéria. Por isso a inspeção do corpo logo após o passeio é a medida mais eficaz de prevenção.

O que isso significa para quem mora no DF

Os números divulgados são de São Paulo, estado que concentra a maior parte das notificações do país. Mas o carrapato-estrela também circula no Cerrado, em áreas de pasto e nas margens de córregos e lagos do Distrito Federal, onde a presença de capivaras é frequente.

Brasiliense que faz trilha no Parque Nacional, cavalga em haras do entorno ou passa o fim de semana em chácara está no mesmo grupo de exposição. A conduta é idêntica: roupa adequada, inspeção do corpo e menção ao passeio quando procurar o médico com febre.

Casos de agressão e sobrecarga na rede pública do DF também têm mobilizado profissionais de saúde. Leia mais em Enfermeira é agredida a socos por paciente no Hospital Regional de Samambaia.

Próximos passos

A febre maculosa é doença de notificação compulsória. Cada caso confirmado aciona investigação epidemiológica para identificar o local provável de infecção e orientar bloqueio na área. Os dados paulistas seguem sendo atualizados pela Secretaria de Estado da Saúde ao longo do ano.

Perguntas frequentes

Quantas mortes por febre maculosa São Paulo registrou em 2026?

Foram 18 mortes em 19 casos confirmados entre janeiro e julho de 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Como a febre maculosa é transmitida?

Pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii. O carrapato-estrela é o vetor mais associado à doença no Brasil.

Quais são os primeiros sintomas?

Febre alta, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar, sintomas que se confundem com dengue e outras viroses. Manchas avermelhadas na pele costumam aparecer a partir do terceiro dia.

O que fazer ao encontrar um carrapato no corpo?

Retirar com uma pinça, sem esmagar o animal, e lavar o local com água e sabão ou álcool. Havendo febre nos dias seguintes, procurar atendimento médico e informar a exposição.

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