Mercado imobiliário do Distrito Federal fechou 2025 com forte pressão na locação e valorização expressiva em regiões fora do eixo tradicional, segundo balanço do Secovi/DF
O mercado imobiliário do Distrito Federal encerrou 2025 com um movimento claro: mais brasilienses optaram pelo aluguel do que pela compra. A combinação de juros elevados, crédito imobiliário seletivo e Selic nas alturas desestimulou aquisições e empurrou a demanda para a locação — pressionando os preços em toda a capital federal.
Os dados são do balanço anual do Secovi/DF, sindicato que representa o setor imobiliário no DF, e revelam um mercado em transformação, com regiões administrativas historicamente periféricas assumindo protagonismo na valorização.
Imóveis usados: Sobradinho dispara com 26% de valorização
Entre os apartamentos de revenda, Sobradinho foi a grande surpresa do ano, registrando a maior valorização do DF em 2025: 26%. A região superou bairros nobres consolidados como Asa Sul (15%) e Sudoeste (10%), sinalizando que o mercado está mais atento à relação custo-benefício do que à tradição de endereço.
Ranking de valorização na revenda de apartamentos em 2025
| Posição | Região | Valorização |
|---|---|---|
| 1º | Sobradinho | 26% |
| 2º | Asa Sul | 15% |
| 3º | Recanto das Emas | 12% |
| 4º | Sudoeste | 10% |
| 5º | Guará | 10% |
| 6º | Santa Maria | 10% |
| 7º | Asa Norte | 9% |
| 8º | Ceilândia | 8% |
| 9º | Samambaia | 8% |
| 10º | Noroeste | 7% |
Fonte: Secovi/DF
Para Ovídio Maia, presidente do Secovi/DF, o desempenho de regiões fora do eixo central é sintomático de uma mudança estrutural no perfil do comprador. “O mercado está mais distribuído e atento à relação custo-benefício”, afirmou.
Noroeste e Park Sul lideram preço por metro quadrado no DF
Se a valorização relativa favoreceu regiões periféricas, o preço absoluto por metro quadrado ainda é domínio do Plano Piloto e suas extensões mais recentes. O Noroeste encabeça o ranking com R$ 16.407,31/m², seguido de perto pelo Park Sul (R$ 15.276,82/m²) e pelo Sudoeste (R$ 14.805,18/m²).
Regiões mais caras para comprar apartamento no DF (dez/2025)
| Posição | Região | Preço mediano (R$/m²) |
|---|---|---|
| 1º | Noroeste | R$ 16.407,31 |
| 2º | Park Sul | R$ 15.276,82 |
| 3º | Sudoeste | R$ 14.805,18 |
| 4º | Asa Sul | R$ 13.630,20 |
| 5º | Asa Norte | R$ 12.644,13 |
| 6º | Lago Norte | R$ 11.792,21 |
| 7º | Cruzeiro | R$ 9.239,14 |
| 8º | Águas Claras | R$ 8.756,71 |
| 9º | Guará | R$ 8.511,62 |
| 10º | Gama | R$ 6.361,54 |
Fonte: Secovi/DF
A liderança de Noroeste e Park Sul tem explicação direta: são as áreas mais novas do Plano Piloto, com empreendimentos de padrão construtivo recente e forte influência dos preços de lançamentos, que historicamente puxam o valor dos imóveis usados nas redondezas.
Locação em alta: Cruzeiro registra 21% de aumento nos aluguéis
O segmento de locação foi o mais pressionado de 2025. Com a compra fora do alcance para uma parcela crescente da população — e investidores preferindo a rentabilidade da renda fixa a adquirir imóveis — a demanda por aluguel cresceu de forma consistente ao longo do ano.
O Cruzeiro liderou o ranking de alta nos aluguéis com 21%, seguido por Asa Norte e Lago Norte, ambos com 19%. Regiões como Sudoeste (18%) e Noroeste (17%) também registraram aumentos expressivos.
Regiões onde os aluguéis mais subiram em 2025
| Posição | Região | Alta no aluguel |
|---|---|---|
| 1º | Cruzeiro | 21% |
| 2º | Asa Norte | 19% |
| 3º | Lago Norte | 19% |
| 4º | Sudoeste | 18% |
| 5º | Noroeste | 17% |
| 6º | Águas Claras | 14% |
| 7º | Samambaia | 14% |
| 8º | Guará | 11% |
| 9º | Santa Maria | 11% |
| 10º | Recanto das Emas | 9% |
Fonte: Secovi/DF
A alta nas regiões mais estruturadas reflete a migração de parte da demanda que adiou a compra para o mercado de locação. A valorização foi mais intensa justamente onde o estoque disponível é menor e a liquidez é maior.
Juros altos explicam o movimento
A taxa Selic elevada funcionou como um duplo vetor de pressão sobre o mercado imobiliário brasiliense. De um lado, encareceu o crédito imobiliário e retirou compradores do mercado. Do outro, tornou as aplicações financeiras mais atrativas do que a compra de imóveis para renda, fazendo com que mesmo investidores recuassem das aquisições.
O resultado foi um aumento estrutural na demanda por aluguel, que pressionou os preços especialmente nas regiões com melhor infraestrutura e menor oferta disponível.
Apesar do cenário desafiador, o Secovi/DF avalia o desempenho do setor de forma positiva. “Mesmo em um ambiente de juros elevados, o mercado imobiliário do Distrito Federal demonstrou estabilidade e capacidade de ajuste. Observamos valorização consistente na revenda e forte dinamismo na locação”, declarou Ovídio Maia.








