Justiça suspende Vasco x Boca no Maracanã e Nilton Santos volta ao jogo
Liminar do TJRJ barra o jogo de 20 de outubro no Maracanã; o Vasco recorre e tem 46 mil ingressos vendidos. Nilton Santos aparece como alternativa.

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A Justiça do Rio de Janeiro voltou atrás e suspendeu a autorização para que o Vasco da Gama enfrente o Boca Juniors no Maracanã, pela semifinal da Copa Sul-Americana. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (12) e atinge o jogo marcado para 20 de outubro, às 21h30, com 46.014 ingressos já vendidos, segundo o clube.
O que a Justiça decidiu sobre o Vasco e o Maracanã
A liminar é da desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Ela atendeu a um pedido do Consórcio Fla-Flu Serviços, que administra o estádio, e suspendeu os efeitos da decisão que obrigava o consórcio a ceder o Maracanã para a partida.
A autorização anterior tinha saído na sexta-feira (9), da presidência da 23ª Câmara de Direito Privado do TJRJ. Em poucos dias, portanto, o Vasco passou de liberado a barrado no mesmo estádio.
Na decisão, a magistrada determinou que o Vasco seja intimado de imediato, inclusive por oficial de justiça, para tomar as providências que julgar cabíveis sobre a indicação do estádio à Conmebol e sobre a venda de ingressos. Também mandou avisar a Polícia Militar de que o Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro, está apto a receber o jogo.
Segundo a desembargadora, a decisão anterior, que garantiu ao Vasco o Maracanã, foi tomada sem que o consórcio tivesse a chance de se manifestar. Ela também alertou para o risco de realizar o jogo no estádio porque, na mesma data, está marcada no Maracanãzinho, ao lado, a partida entre Flamengo e Botafogo pela Liga Nacional de Basquete.
Para a magistrada, a suspensão não impede o jogo: "restabelece a situação anterior", na qual o Vasco dispunha do Nilton Santos. A Polícia Militar atestou que o estádio tem aptidão para o evento e que ele recebeu, nos últimos dois anos, uma semifinal da Libertadores, a final da Recopa e oitavas de final da Sul-Americana.
A resposta do Vasco: ingressos, imprensa e segurança
Em nota, o Vasco informou que já protocolou um pedido urgente para que a própria desembargadora restabeleça o uso do Maracanã. A petição é datada de 10 de outubro e busca reverter a suspensão. O argumento central do clube é que mudar de estádio não significa trocar apenas o endereço da partida, mas reorganizar um evento internacional.
O documento lista o que mudaria com uma transferência:
- 46.014 ingressos já comercializados, o que obrigaria a rever setores, assentos, acessos, validade dos bilhetes e eventuais reembolsos;
- estrutura montada para cerca de 250 profissionais de imprensa, que precisaria ser adaptada;
- planejamento de segurança a refazer, com previsão de deslocamento de 50 a 60 ônibus de torcedores visitantes.
Sobre a segurança, o clube reconhece que a Polícia Militar considerou o Nilton Santos viável, mas ressalta que o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) manteve o Maracanã como alternativa preferencial, por causa da infraestrutura, da acessibilidade e das condições de organização.
O que falta definir antes de 20 de outubro
O desfecho depende agora de dois movimentos. O primeiro é a resposta da própria desembargadora ao pedido de reconsideração apresentado pelo Vasco. O segundo é o que o clube comunicará à Conmebol, que precisa saber em qual praça esportiva o jogo vai acontecer. Até a publicação desta matéria, nenhuma das partes havia informado uma nova decisão.
Quem já comprou ingresso, a regra prática é aguardar o comunicado oficial do clube sobre eventual mudança de local, de setores e de reembolso. O Vasco ainda não detalhou como seria o procedimento caso o jogo migre para o Nilton Santos.
O Vasco vive uma sequência pesada de compromissos: no sábado (10), empatou sem gols com o Remo pelo Brasileirão. O clube já havia empatado sem gols com o Fluminense na ida das oitavas da Copa do Brasil, e agora vê a semifinal continental depender de uma decisão judicial.
A decisão da Justiça foi divulgada pela Agência Brasil, que reproduz trechos da nota do Vasco e da decisão da desembargadora.
Fonte: Agência Brasil, nota do Vasco da Gama e decisão do TJRJ, divulgadas em 12 de outubro de 2026.






