O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso novamente pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (4) em São Paulo. A detenção ocorreu durante a 3ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apontam para o que pode ser a maior fraude financeira já praticada no Brasil.
Por que Vorcaro foi preso de novo?
Vorcaro estava em liberdade desde o final de novembro e vinha sendo monitorado com tornozeleira eletrônica. Voltou a ser detido por ordem do ministro André Mendonça, do STF, após a PF identificar novos elementos nas investigações.
A decisão de Mendonça aponta que Vorcaro tentou ocultar mais de R$ 2 bilhões e mantinha um grupo armado para ameaçar ex-empregados e monitorar desafetos. Esta foi também a primeira medida do ministro após assumir a relatoria do caso em fevereiro, quando substituiu Dias Toffoli.
Quem mais foi preso?
Além de Vorcaro, foram determinadas três prisões preventivas: Fabiano Campos Zettel, apontado como operador financeiro do grupo; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, descrito como responsável por atividades de monitoramento e intimidação; e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado ligado ao núcleo de vigilância do grupo.
Zettel, cunhado de Vorcaro, era responsável por pagamentos e cobranças, e quem realizava os repasses para “A Turma” — estrutura exclusivamente dedicada a monitorar e intimidar adversários do grupo.
O que é “A Turma” e o grupo armado privado?
Com base em relatórios da PF, Mendonça descreve “A Turma” como uma estrutura utilizada para realizar atividades de monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo, bem como para a prática de atos de coação e intimidação de pessoas — entre elas concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.
Mourão, apelidado de “Sicário” no celular de Vorcaro, recebia pagamentos mensais de R$ 1 milhão. Em mensagens, o banqueiro teria ordenado que fosse simulado um assalto para agredir fisicamente um jornalista que publicava notícias contrárias a seus interesses.
Qual foi o esquema do Banco Master?
A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, investiga a fabricação de carteiras de crédito inexistentes (sem lastro) e a circulação de “ativos podres” para inflar o patrimônio do Banco Master e esconder prejuízos.
Seis fundos de investimento ligados ao esquema — Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna — somam R$ 102,4 bilhões em patrimônio e aparecem nas investigações.
Um inquérito específico apura ainda se Vorcaro ocultou sua participação como acionista do Banco de Brasília (BRB) enquanto o banco público comprava carteiras de crédito do Master — o que configuraria conflito de interesses.
Outro ponto investigado envolve fundos de previdência estaduais e municipais. O fundo de previdência do Amapá investiu cerca de R$ 400 milhões em títulos do banco em apenas 20 dias, apesar de alertas técnicos e do Ministério Público Federal. Ao menos outros seis estados têm investimentos no Master sob apuração.
Servidores do Banco Central também são investigados
O banqueiro mantinha interlocução próxima com dois servidores em posições estratégicas no Banco Central, que trabalhavam como uma espécie de “empregado/consultor” de Vorcaro, fornecendo informações privilegiadas. São eles o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana.
Qual o tamanho do prejuízo?
O STF determinou o sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões para interromper a circulação de ativos do grupo investigado. As investigações apontam que o montante total das fraudes pode alcançar R$ 17 bilhões.
O que diz a defesa de Vorcaro?
Em comunicado, a defesa do banqueiro negou categoricamente as alegações e afirmou confiar no esclarecimento completo dos fatos para demonstrar a regularidade de sua conduta, reiterando confiança no devido processo legal.
O Banco Master ainda existe?
Não. Vorcaro era dono do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O nome da Operação Compliance Zero é uma referência justamente à ausência de mecanismos eficazes de controle interno nas instituições envolvidas — o que teria permitido a gestão fraudulenta e a lavagem de recursos durante anos.







