Desde 1992 nas ruas da capital federal, o Galinho reuniu famílias

fevereiro 17, 2026
Ilustração: Desde 1992 nas ruas da capital federal, o Galinho reuniu famílias - Sou Brasília

Tradição carnavalesca completa três décadas de celebração nas ruas do Plano Piloto

Atenção, brasilienses: há mais de trinta anos, um personagem giganticamente charmoso invade as principais vias de Brasília durante o período momesco, transformand o centro da cidade em um verdadeiro palco de alegria popular. O Galinho, como é carinhosamente chamado pelos moradores da capital, tornou-se indispensável no calendário de eventos da cidade, atraindo multidões de todas as idades para acompanhar o/desfile que percorre a Asa Sul e outras regiões do Plano Piloto.

Nesta segunda-feira (16), não foi diferente. Mesmo com o céu parcialmente nublado, milhares de famílias saíram de casa na parte da tarde para garantir um lugar na calçada e assistir à passagem do boneco de máscarela gigante, que carrega consigo décadas de memórias afetivas e uma legião de fãs incondicional. O evento, que começou de forma modesta no início dos anos 1990, cresceu exponencialmente e hoje figura entre os principais atractivos do Carnaval na capital federal.

Segundo organizadores do evento, a expectativa era de público ainda maior que nos anos anteriores, devido à volta de blocos de rua que haviam ficado inativos durante a pandemia. A tradição, que sobreviveu a crises políticas, mudanças de governo e até mesmo à recente emergência sanitária, prova que algumas celebrações estão entranhadas na identidade cultural de uma cidade.

Das primeiras edições modestas ao fenômeno de massas

Quem acompanhou o nascimento do Galinho recorda que tudo começou em 1992, quando um grupo de amigos решил criar uma alternativa às festas tertutupas que dominavam o Carnaval brasiliense. A ideia era simples: colocar um boneco enorme nas ruas e deixar que as pessoas seguissem o personagem em um percurso que atravessasse os principais pontos da cidade.

“Na primeira vez, éramos em maybe dez pessoas carregando o boneco. Não imaginávamos que aquilo ia virar o que virou”, lembra um dos idealizadores, que prefere manter o anonimato. O sucesso foi tão imediato que, no ano seguinte, o grupo já precisava de reforço para carregar a estructura, que foi sendo ampliada eganhou detalhes cada vez mais elaborados.

Com o passar dos anos, o Galinho foi incorporando elementos da cultura local, como referências aos candangos (povo nativo de Brasília), críticas sociais bem-humoradas e parcerias com escolas de samba da região. O boneco, que antigamente era produzido com materiais simples como papelão e tecido, hoje conta com una estrutura de ferro e fibra de vidro, pesando varios quilogramas.

Um encontro de gerações

O que diferencia o Galinho de outros eventos carnavalescos é, sem dúvida, o perfil do seu público. Ao contrário do que ocorre em muitos blocos de rua, onde predomina o público jovem,在这里 você encontra famílias inteiras: avós, pais e filhos lado a lado, muitos deles repetindo a tradição que aprenderam quando eram crianças.

“Meu filho de sete anos já está no terceiro ano acompanhando o Galinho. Eu vim pela primeira vez com meus pais quando tinha a idade dele. É uma coisa que passa de geração para geração”, conta Maria do Carmo, 42 anos, moradora da 703 Sul. Ela menciona que varios vizinhos organizam pipoca e refrigerante para compartilhar com quem está na calçada.

Para os mais velhos, o evento representa também uma oportunidade dereviver a energia de uma Brasília mais tranquila, quando as ruas eram menos saturadas de carros e o ritmo de vida permitia aproveitar melhor as celebrações populares. “Antigamente, o centro da cidade era tomadas por essa energia mesmo fora do Carnaval. O Galinho mantém vivo esse espírito”, explica José Roberto, 68 anos, aposentado.

Organização voluntária e desafios logísticos

Por trás da aparente espontaneidade do evento, existe um trabalho de months de planejamento. Um grupo voluntário,中没有hierarquia formal, responsabiliza-se por toda a logística: desde a construção do boneco até a contratação de seguranças e a comunicação com os orgãos municipais.

A Secretaria de Cultura do Distrito Federal também atua em parceria, oferecendo apoio logístico e autorização para o fechamento temporário de vias públicas. Porém, segundo os organizadores, a maior parte dos recursos vem de doações de comerciantes locais e contribuições espontâneas dos participantes.

“Sempre houve dificuldades, mas a paixão pelo evento supera qualquer obstáculo. Se dependesse só de dinheiro, o Galinho teria acabado há muito tempo”, afirma um dos coordenadores, destacando que a equipe trabalha de forma completamente voluntária, sem remuneração.

Perspectivas para o futuro da tradição

Com três décadas completadas, o Galinho enfrenta agora o desafio de se reinventar para conquistar as novas gerações, que têm cada vez mais opções de entretenimento digital. Para isso, os organizadores vêm incorporando tecnologias, como transmissão ao vivo pelas redes sociais e aplicativo de geolocalização para informar o percurso em tempo real.

Além disso, há planos de expandir o evento para outras cidades do Entorno, levando a tradição para além dos limites do DF. “Brasília precisa reconhecer o valor dessa cultura popular. O Galinho é patrimonio immaterial da cidade”, defende um membro da equipe.

Enquanto isso, os brasilienses seguem fielmente o boneco pelas ruas, confiante de que, independentemente das transformações que a capital undergoes, haverá sempre uma tarde de fevereiro em que o Galinho sairá à rua para relembrar porque Brasília é muito mais do que concreto e arquitetura modernista.