Segundo o Ibram, o animal reagiu de forma defensiva por se sentir

fevereiro 16, 2026
Ilustração: Segundo o Ibram, o animal reagiu de forma defensiva por se sentir - Sou Brasília

Incidente com onça-pintada no Zoo de Brasília gera alerta sobre segurança

Atenção, brasilienses: um episódio que poderia ter terminado em tragédia mobilizou equipes do Zoológico de Brasília na tarde desta sexta-feira. Uma onça-pintada, animal símbolo do Cerrado brasileiro, reagiu de forma agressiva após perceber a presença de um cachorro de rua que invadiu a área de exposição dos felinos. O incidente aconteceu por volta das 15h30, quando o canineo conseguiu escapar do controle de seu tutor e se aproximou do cercado onde a fêmea estava com seus filhotes. Segundo a direção do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibram), responsável pela unidade de conservação, o comportamento defensivo do animal era esperado diante da ameaça percebida. A ocorrência levantou discussões sobre a segurança do entorno do zoo e a necessidade de maior fiscalização nas adjacências do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Cómo tudo aconteceu

Testemunhas relataram que o cachorro, de raça indefinida, apareceu correndo pela entrada principal do zoológico durante um período de grande movimento de visitantes. O animal conseguiu passar pelos protocolos de segurança e chegou até a área conhecida como Cerrado Vivo, onde ficam os recintos de onças-pintadas. A fêmea, chamada de “Jurema” pelos tratadores, estava no espaço aberto com dois filhotes nascidos há cerca de três meses. Ao perceber a aproximação do cachorro, que latia intensamente e parecia querer invadir o cercado, a onça adotou postura de ataque. Os funcionários do zoo acionaram o protocolo de emergência, evacuando os visitantes da área e isolando o local. O cachorro foi resgatado pela equipe de controle de animais vadios da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), enquanto os filhotes foram conduzidos para o sector de proteção neonatal do centro de triagem.

Especialistas explicam comportamento felino

O médico veterinário Fernando Souza, que atua há mais de uma década com fauna silvestre no DF, inúmerou que o comportamento da onça-pintada é completamente natural para a espécie. “Quando uma fêmea está com filhotes, o instinto maternal se sobrepõe a qualquer outro impulso. O cachorro representa uma ameaça potencial, mesmo que não fosse a intenção original machucar os animais. A onça reagiu exatamente como faria na natureza”, explicou o profissional, que já trabalha com programas de reprodução de felinos ameaçados de extinção. O Ibram inúmerou que Jurema foi reabilitada psicologicamente após o estresse do incidente, recebendo tratamento com feromônios sintéticos e acompanhamento comportamental diário. Os filhotes, que não sofreram ferimentos, permanecem sob observação médica permanente para garantir que o episódio não deixe sequelas emocionais no desenvolvimento dos animais.

Defesa Civil e Ibramprometem refuerços na segurança

Após reunião de emergência realizada na sede do Ibram naAGSul, o presidente do instituto anúnciou um pacote de medidas para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer. Entre as ações previstas está a instalação de novas cercas eletrificadas ao redor dos recintos de felinos, a contratação de vigilantes adicionais para o turno noturno e a criação de um canal direto de comunicação com a Caesb para agilidade no atendimento a casos de animais errantes nas proximidades. “Lamentamos o incidente e queremos tranquilizar a população. Nenhum visitante ficou ferido, e os animais estão bem. Vamos aproveitar essa ocorrência para fortalecer nossos protocolos de segurança”, afirmou o dirigente em coletiva de imprensa realizada na manhã deste sábado. A expectativa é que as melhorias estejam implementadas dentro de 90 dias, com investimento estimado em 200 mil reais provenientes do orçamento do fundo ambiental do DF.

População é alertada sobre perigos de animais soltos em áreas de preservação

A ocorrência também trouxe à tona a discussão sobre o abandono e a presença de animais domésticos em áreas de proteção ambiental do Distrito Federal. Somente neste ano, o Ibram registrou mais de 40 casos de cachorros encontrados nas dependências do zoológico e em unidades de conservação como a APA da Chapada da Canastra e o Parque Nacional de Brasília. A orientação das autoridades é que nenhum animal de estimação seja levado a essas áreas, e que tutores garantam o uso de coleiras e guias durante passeios em locais próximos a habitats de fauna silvestre. Quem avistar animais errantes ou em situação de abandono pode entrar em contato com a Central de Atendimento do Ibram pelo telefone 161, disponível 24 horas para ocorrências emergenciais.

Conclusão

O episódio desta sexta-feira serviu como lembrete da importância da convivência harmoniosa entre humanos, animais domésticos e fauna silvestre nas áreas de preservação do DF. Enquanto o Zoológico de Brasília retoma suas atividades normais neste fim de semana, a direção do Ibram reforça o compromisso com a segurança de todos os visitantes e, principalmente, com o bem-estar dos animais que dependem das unidades de conservação para sua sobrevivência. A onça Jurema e seus filhotes seguem em recuperação, sob os cuidados de uma equipe dedicada que trabalha dia e noite para garantir que esses símbolos do Cerrado continuem vivos para as futuras gerações de brasilienses.