Prometeu cabelo, entregou prejuízo: o golpe capilar que lesou pacientes no DF

março 12, 2026

Pacientes pagaram por cirurgias que nunca foram realizadas; empresa com mais de 1 milhão de seguidores opera sob gestão terceirizada enquanto proprietário está impedido de exercer a medicina

Homens que buscavam recuperar os cabelos e reconquistar a autoestima acabaram perdendo dinheiro em clínicas especializadas em transplante capilar no Distrito Federal. As unidades, que acumulam mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais e têm endereços no Plano Piloto, em Taguatinga e em outros estados, são alvo de denúncias de pacientes que afirmam ter pago por procedimentos que jamais aconteceram.

O proprietário e nome por trás da marca é o médico Stanley Bittar que, no entanto, teve o CRM cassado no Acre no ano passado, condição que o impede de realizar as cirurgias anunciadas pelas clínicas. Mesmo assim, os estabelecimentos seguiram funcionando.

Pacientes relatam prejuízo e promessas não cumpridas

Um brasiliense de 36 anos, que preferiu não se identificar, desembolsou cerca de R$ 24 mil em sessões de mesoterapia tratamento apresentado como preparatório para o implante capilar, com promessa de ampliar a densidade dos fios. Embora os procedimentos preparatórios tenham sido feitos, a cirurgia principal nunca saiu do papel.

“Eu raspo a cabeça totalmente desde os 24 anos e nunca usei boné para disfarçar. É muito difícil quando se tem a esperança de que esse cenário pode mudar”, disse o paciente, descrevendo o episódio ocorrido em abril do ano passado.

Jean Vieira, 31 anos, morador do Guará, viveu situação semelhante. Ele adiantou parcelas mensais de R$ 1 mil com a promessa de que, após quitar oito das 18 prestações, poderia agendar o transplante. Quando tentou marcar o procedimento, a clínica recuou e se recusou a honrar o combinado. Segundo Jean, a pressão foi além do financeiro: um advogado ligado à empresa teria tentado intimidá-lo para que desistisse das reclamações.

Gestora entra em cena com clínicas endividadas

Para manter as portas abertas, foi contratada a empresa Elo Vitae, responsável pelo arrendamento e pela administração das unidades no DF. A gestora informou ao Metrópoles que, ao assumir o controle operacional, encontrou os estabelecimentos com dívidas acumuladas, sem licenças regulares e em situação irregular com um passivo estimado em R$ 3,67 milhões apenas para viabilizar a continuidade das operações.

Stanley Bittar se pronuncia

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Stanley Bittar reconheceu falhas na escolha da gestora, mas negou responsabilidade direta pelos problemas enfrentados pelos pacientes. Sobre o CRM cassado, afirmou tratar-se de uma questão relacionada a marketing médico, ainda pendente de julgamento definitivo pelo Conselho Federal de Medicina, e que isso não inviabilizaria o funcionamento das demais unidades.

O médico pediu que pacientes em outros estados suspendessem qualquer procedimento até a normalização judicial da situação, indicando as unidades de São Paulo e Chapecó como as únicas sob sua gestão direta.