Novas evidências no caso que chocou Brasília mostram que a agressão fatal contra Rodrigo Castanheira, de 16 anos, pode não ter sido uma briga ocasional. Mensagens e áudios anexados à denúncia do Ministério Público revelam uma sequência de acontecimentos que apontam para possível premeditação.
Os áudios que mudam a história
Pedro Turra, o ex-piloto acusado, enviou um áudio para a namorada que não deixa dúvidas sobre suas intenções antes do confronto: “Tem gente querendo bater em um amigo numa festa, vamos pegar eles”.
As conversas mostram que ele estava acompanhado de outro amigo e tinha plena consciência de que estava indo para um conflito. Em outra mensagem, ele apressa a namorada, reforçando que os supostos agressores iriam embora à meia-noite – o que evidencia uma intenção deliberada de interceptá-los.
A resposta da namorada também chama atenção: “Vamos agora! Onde é?”. Ela não só autorizou a ida como demonstrou incentivo à ação.
Depois do crime, tentativa de minimizar
Os prints também revelam as mensagens enviadas após a agressão fatal. Pedro mandou áudio para o suposto mandante do ataque informando que “tá tudo de boa” e pedindo desculpas: “Mano, me perdoa mesmo, gosto muito de ti. Não deixo isso afetar nossa amizade”.
Ele também manifestou interesse em conversar com o pai do rapaz agredido, numa aparente tentativa de controlar os desdobramentos.
Falso testemunho complica o caso
A denúncia do MP também aponta que duas testemunhas teriam prestado depoimentos falsos, numa tentativa de influenciar a investigação. Por conta disso, foi solicitada a instauração de inquérito pela suposta prática de falso testemunho.
Uma terceira testemunha, porém, apresentou retratação formal antes de qualquer sentença, o que extinguiu sua punibilidade.
Relembre o caso
A agressão aconteceu em 22 de janeiro, em Vicente Pires. Durante a briga, Pedro desferiu um soco que fez Rodrigo bater a cabeça violentamente contra a porta de um carro. O adolescente ficou 16 dias internado em estado gravíssimo antes de ter a morte cerebral confirmada no dia 7 de fevereiro.
Pedro Turra permanece preso em cela individual no Complexo Penitenciário da Papuda. Com as novas evidências, a acusação de homicídio ganha contornos ainda mais graves, podendo se configurar em homicídio qualificado se a premeditação for comprovada.
O caso segue sob investigação e deve ir a júri popular, onde todas as provas – incluindo as mensagens e áudios agora revelados – serão analisadas.










