Petição contra presidência de Erika Hilton na Comissão da Mulher ultrapassa 120 mil assinaturas
Mobilização online pede que a Câmara dos Deputados reconsidere a escolha da deputada trans para comandar o colegiado. Eleição gerou reações de parlamentares de diferentes partidos.
Uma petição virtual contra a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados já ultrapassou a marca de 120 mil adesões. O abaixo-assinado foi criado na plataforma Change.org no dia 11 de março de 2026 — mesma data em que Hilton foi eleita para o cargo.
O que pede a petição
A mobilização foi criada pela pré-candidata a deputada federal Sophia Barclay e se apresenta como uma manifestação democrática de cidadãos que desejam abrir o debate sobre os critérios de representatividade na presidência da comissão. O texto solicita que a Câmara considere, com atenção, a identificação com as mulheres brasileiras ao definir quem deve ocupar a liderança do colegiado.
Como foi a eleição de Erika Hilton
Na sessão da última quarta-feira (11/3), Erika Hilton recebeu 11 votos e se tornou a primeira parlamentar trans a presidir a Comissão da Mulher na história do Congresso Nacional. A vice-presidência ficou com a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). Na mesma votação, 10 congressistas optaram pelo voto em branco.
Reações de deputadas contra a escolha
Diversas parlamentares se manifestaram publicamente contra a eleição. A deputada Greyce Elias (Avante-MG), titular da comissão, afirmou que a questão não envolve exclusão de pessoas, mas sim a defesa de um espaço criado para enfrentar problemas que afetam diretamente mulheres, como violência doméstica, feminicídio, desigualdade salarial e proteção à maternidade.
A deputada Rosângela Moro (União Brasil-PR) argumentou que muitas das pautas tratadas na comissão dizem respeito a questões biológicas femininas, como gestação, violência obstétrica e endometriose, e que o cargo deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero.
Já a deputada Delegada Ione (Avante-MG) questionou a legitimidade de Hilton para presidir debates sobre experiências como a maternidade e o ciclo menstrual. A deputada estadual Mara Lima (Republicanos-PR) seguiu na mesma linha, afirmando que a liderança do colegiado exige vivência direta dessas realidades.
A deputada Clarissa Tercio (PP-PE) defendeu a ocupação dos espaços por mulheres biológicas, enquanto a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) fez um protesto silencioso em vídeo nas redes sociais, alegando orientação de seu advogado.
Debate segue com desdobramentos no Congresso
O caso continua repercutindo no cenário político nacional e amplia a discussão sobre os limites da representatividade de gênero nas instâncias legislativas. Outros partidos já protocolaram pedidos de cassação e representações contra Hilton, indicando que o tema deve permanecer em pauta nas próximas semanas.








