Atenção, passageiros que precisam se deslocar entre Brasília e as cidades vizinhas do Entorno: preparem o bolso. A partir do dia 22 de fevereiro, as tarifas de ônibus intermunicipais que ligam a capital federal a municípios goianos vão ficar mais caras. O índice de aumento aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres foi de 2,546%, um percentual que reflete a alta nos custos de operação das empresas de transporte, especialmente o comportamento dos preços do diesel e a inflação registrada no país ao longo do último ano. A correção entra em vigor na segunda metade de fevereiro, seguindo o que determina o contrato de concessão das linhas que atendem a região.
Reajuste supera a inflação e pega passageiros de surpresa
O Conselho Diretivo da ANTT se reuniu na última quinta-feira para analisar os pedidos das empresas de ônibus que operam as linhas interestaduais que cortam o Entorno do DF. Após avaliação técnica, foi confirmado o índice de 2,546% de aumento nas passagens. O valor supera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo acumulado nos últimos 12 meses, o que significa que o transporte coletivo na região ficou mais caro do que a média dos produtos e serviços monitorados pelo IBGE. Para muitos passageiros que dependem diariamente dessas linhas para trabalhar ou estudar em Brasília, a surpresa veio junto com a conta no final do mês.
A atualização dos valores não aconteceu por acaso. Os contratos de concessão dessas linhas preveem correção anual obrigatória, sempre aplicada na segunda quinzena de fevereiro. Esse mecanismo existe para que as empresas possam repassar aos usuários parte dos custos adicionais que tiveram ao longo do ano anterior, especialmente os gastos com combustível, que tem variação constante de preço. Sem essa correção, as empresas alegavam que seria impossível manter a qualidade do serviço e a segurança dos passageiros.
Veja quanto vai custar viajar a partir de agora
Para quem costuma pegar o ônibus entre Luziânia e a capital federal, o valor da passagem pula de R$ 10,70 para R$ 10,97. O trajeto entre Águas Lindas de Goiás e Brasília, um dos mais procurados por quem trabalha na cidade, sobe de R$ 11 para R$ 11,43. Já os passageiros que embarcam no Novo Gama vão enfrentar a tarifa de R$ 12,35, contra os R$ 12,05 cobrados anteriormente, tornando esse roteiro um dos mais caros da região.
Em Santo Antônio do Descoberto, a passagem sobe de R$ 10,45 para R$ 10,71. Moradores de Cidade Ocidental pagavam R$ 8,65 e, a partir de fevereiro, desembolssarão R$ 8,87. O caso de Valparaíso é um pouco diferente porque a cidade possui duas linhas que ligam ao DF, com valores distintos: uma passa de R$ 5,05 para R$ 5,18 e a outra sobe de R$ 9,15 para R$ 9,39.
Entre os municipios com tarifa mais em conta, destaque para o trajeto até Categoria, que sai de R$ 7,20 para R$ 7,38. Quem segue de Formosa para Brasília vai pagar R$ 8,20, contra os R$ 8 anteriores. Planaltina de Goiás tem passagem间 de R$ 11,35 para R$ 11,63, enquanto Monte Alto registra aumento de R$ 10,10 para R$ 10,35.
Como é feito o cálculo do aumento
A metodologia utilizada pela ANTT para definir o percentual de correção leva em conta diversos fatores que influenciam diretamente no custo do transporte coletivo. O principal deles é o preço do óleo diesel, que tem variações frequentes no mercado brasileiro e representa uma fatia significativa das despesas das empresas de ônibus. Além disso, são considerados os aumentos salariais dos trabalhadores do setor, os custos de manutenção da frota, o preço dos pneus e outros insumos essenciais para a operação.
A agência reguladora possui uma resolução específica que detalha como esse cálculo deve ser feito, garantindo transparência e evitando arbitrariedades. Os índices são aplicados de forma homogenia em todas as linhas, independentemente da distância percorrida ou do número de passageiros transportados. Essa padronização, segundo a ANTT, visa simplificar a compreensão dos valores por parte dos usuários e facilitar a fiscalização.
Passageiros relatam dificuldades com custos
Para muitos moradores do Entorno que trabalham em Brasília, o ônibus intermunicipal é o único meio de transporte viável financeiramente. O aumento das passagens aggravate uma situação que já era considerada difícil por famílias que precisamgastar uma parte significativa do orçamento doméstico com deslocamento. Algunos passageiros ouvidos pela reportagem relataram que precisam fazer malabarismos para conseguir pagar as tarifas.
“Já está difícil manter o trabalho em Brasília porque o salário não acompanha os aumentos. Agora, com essa nova correção, vou ter que reduzir as viagens ou procurar outra forma de trabalho”, contou um passageiro que prefere não se identificar. A queixa é recorrente entre quem vive nas cidades do Entorno e trabalha na capital, um movimento que acontece diariamente em larga escala.
Especialistas em mobilidade urbana alertam que o aumento contínuo das tarifas pode acabar incentivando o transporte irregular, com vans e carros clandestinos que não oferecem as mesmas garantias de segurança. Além disso, há o risco de que passageiros optem por fazer deslocamentos ainda maiores a pé ou de bicicleta, o que pode gerar problemas de segurança e saúde.
Próximos passos e expectativas
Com a data de vigência se aproximando, as empresas de ônibus já estão se preparando para aplicar os novos valores em suas bilheterias e sistemas de vendas online. A orientação da ANTT é que todos os preços atualizados sejam amplamente divulgados para que os passageiros possam se planejar financeiramente.
Por enquanto, não há previsão de novos aumentos ao longo do ano, já que a correção anual é o único mecanismo previsto em contrato para atualização das tarifas. Caso haja algum extraordinário aumento nos custos operacionais, as empresas precisam justificar e pedir autorização khusus à agência reguladora, um processo que envolve análise técnica e pode demorar meses.
A recomendação para quem utiliza as linhas regularly é ficar atento aos canais oficiais das empresas de ônibus e da ANTT para conferir os valores atualizados antes de viajar. O ideal também é planejar com antecedência e, se possível, adquirir passagens com antecedência para garantir o melhor preço disponível.








