Durante a missa de sétimo dia de Rodrigo Castanheira, celebrada na noite desta sexta-feira (13/2) na Paróquia Nossa Senhora da Esperança, em Vicente Pires, o padre João Medeiros emocionou os presentes com uma homilia marcada por reflexões profundas sobre a vida interrompida do adolescente. Diante de uma igreja lotada por amigos, familiares e membros da comunidade, o sacerdote destacou a tragédia da morte precoce do jovem e fez um apelo contundente: “Com certeza não ficará impune a perda desse jovem”.
“É triste quando uma vida é interrompida”
O padre João Medeiros falou diretamente sobre a dor causada pela interrupção abrupta da vida de um adolescente de 16 anos. Sem citar nomes ou detalhes do crime, destacou que a morte de Rodrigo representa uma perda que atinge não apenas a família, mas toda a comunidade.
“É triste quando uma vida é interrompida. Quando alguém é impedido de crescer, de caminhar e de ser aquilo que guardava no coração para o futuro”, disse o padre, em referência aos sonhos que Rodrigo nunca poderá realizar.
Em um dos momentos mais marcantes da celebração, o sacerdote foi enfático ao reforçar que a fé cristã não naturaliza a violência nem romantiza a morte. “Não foi Deus que quis isso. Deus criou o ser humano para viver em harmonia, em família, em sociedade”, afirmou padre João.
Segundo ele, atribuir tragédias à vontade divina é uma forma de negar a responsabilidade humana sobre atos de ódio e intolerância. “Quantas vidas foram ceifadas por pessoas que não amam a própria vida, nem a vida do outro?”, questionou.
Apelo contra o ódio e a banalização da violência
O padre João também alertou para a banalização da violência, especialmente entre os jovens. Ao mencionar a juventude, lamentou que adolescentes desistam da vida ou tenham seus caminhos interrompidos por ações violentas.
“Jesus disse: ‘Eu vim para que todos tenham vida’. Não para que a vida seja interrompida por ódio, por brigas, por falta de amor”, afirmou o sacerdote durante a homilia.
Em um apelo direto aos presentes, padre João pediu que a dor não se transforme em ódio. “Eu peço a todos vocês que não guardem ódio no coração. O mal não traz paz, não traz honra, não traz vida”, disse. Ele reconheceu a dimensão do sofrimento vivido pelos pais e familiares de Rodrigo. “A dor de perder um filho não é fácil para os pais, para a família e também para a Igreja, que sofre junto”, afirmou.
Justiça divina e humana
Encerrando a homilia, o padre confiou Rodrigo à misericórdia divina e pediu conforto para os que ficaram. “Que Deus o guarde no Reino Celestial e conforte seus pais, seus irmãos, seus familiares e os jovens que sofrem com a ausência dele”, declarou.
Em seguida, reforçou a confiança na justiça divina e humana com uma frase que ecoou por toda a igreja: “Tudo tem o seu tempo e a ordem de Deus e do direito humano. Jesus fez bem todas as coisas e com certeza não ficará impune a perda desse jovem”.
A celebração terminou em silêncio e oração, com muitos fiéis visivelmente emocionados pela perda prematura de Rodrigo.
Entenda o caso que chocou Brasília
Rodrigo Castanheira foi brutalmente agredido por Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, ex-piloto de Fórmula Delta, em 23 de janeiro de 2026, na saída de uma festa em Vicente Pires. O adolescente sofreu traumatismo craniano severo e ficou internado em coma na UTI do Hospital Brasília Águas Claras por 16 dias até falecer em 7 de fevereiro.
Pedro Turra foi preso em flagrante na manhã do dia 23, mas acabou liberado após o pagamento de fiança de R$ 24,3 mil. Diante da gravidade do estado de saúde da vítima e dos indícios de que o agressor tentava interferir nas investigações, a Justiça decretou, em 29 de janeiro, a prisão preventiva dele, que foi detido na casa da mãe no dia 30.
Atualmente, Turra está em uma cela individual no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, após alegações de risco à integridade física.
Justiça em andamento
Nesta sexta-feira (13/2), a 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras aceitou a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e tornou Pedro Turra réu por homicídio doloso qualificado por motivo fútil.
O MPDFT também requereu que Turra seja condenado a pagar uma indenização mínima de R$ 400 mil por danos morais à família de Rodrigo. A defesa do ex-piloto já apresentou quatro pedidos de habeas corpus, todos negados pela Justiça.
Para a família do adolescente, o ataque não foi um incidente isolado, mas uma emboscada premeditada. Essa tese, se confirmada, descarta a versão inicial de um simples desentendimento por causa de um chiclete.
Comoção em todo o DF
A morte de Rodrigo Castanheira gerou uma onda de comoção em todo o Distrito Federal. Amigos, colegas de escola e a comunidade de Vicente Pires se uniram em homenagens e pedidos de justiça. O colégio onde Rodrigo estudava publicou nota de pesar, e diversas manifestações foram realizadas nas redes sociais.
A missa de sétimo dia, realizada na noite de sexta-feira 13, simbolizou não apenas a despedida de um jovem querido, mas também o clamor de uma comunidade por justiça e pelo fim da violência que ceifa vidas tão jovens.
Como destacou o padre João Medeiros em sua homilia: a justiça divina e humana não permitirão que essa perda fique impune. Agora, cabe ao sistema judicial dar a resposta que a família de Rodrigo e toda a sociedade brasiliense esperam.








