Irã confirma desistência da Copa do Mundo 2026; ministro cita guerra e morte de Khamenei

março 11, 2026

Em declaração nesta quarta-feira (11), o ministro dos Esportes iraniano afirmou que o país não tem condições de disputar o Mundial, que acontece nos EUA, México e Canadá

A Copa do Mundo 2026 terá uma ausência de peso. O Irã oficializou nesta quarta-feira (11/3) que não disputará o torneio, em declaração do ministro dos Esportes do país, Ahmad Doyanmali. O anúncio vem em meio ao cenário de conflito que assola o Oriente Médio após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano.

A nota do ministro chegou poucas horas depois de o presidente americano Donald Trump declarar publicamente, por meio da Fifa, que a seleção do Irã seria “bem-vinda” para competir em solo norte-americano — uma abertura que o governo iraniano rejeitou com veemência.


Por que o Irã desistiu da Copa do Mundo?

A justificativa do governo iraniano passa diretamente pela crise política e humanitária vivida pelo país. Doyanmali foi direto ao ponto: a morte do líder supremo Ali Khamenei — figura central do governo xiita iraniano por mais de três décadas, morto durante a ofensiva americana — e os efeitos devastadores de dois conflitos armados em menos de um ano tornaram inviável a participação da seleção na competição.

“Dado que este governo corrupto assassinou nosso líder, não há condições para que participemos da Copa do Mundo”, afirmou o ministro, em referência aos Estados Unidos, país sede do torneio. “Duas guerras nos foram impostas em oito ou nove meses, e milhares de nossos cidadãos foram mortos. Portanto, não temos possibilidade de participar desta forma”, completou.


Quais jogos o Irã perderia?

A seleção iraniana estava inserida na fase de grupos com três partidas já agendadas, todas nos Estados Unidos:

  • 15 de junho — Irã x Nova Zelândia, em Inglewood (Califórnia)
  • 21 de junho — Irã x Bélgica, em Inglewood (Califórnia)
  • 26 de junho — Irã x Egito, em Seattle (Washington)

Com a desistência confirmada, o grupo ficará com apenas três seleções — a menos que a Fifa decida convidar uma equipe substituta para ocupar a vaga.


Quem pode herdar a vaga do Irã?

O regulamento da Fifa prevê multa mínima de 250 mil francos suíços (cerca de R$ 1,6 milhão) para países que abandonarem o torneio após a classificação. Além da punição financeira, a entidade precisará decidir se mantém o grupo reduzido ou convoca um novo participante.

Os principais candidatos a preencher a vaga são Emirados Árabes Unidos e Iraque, as seleções que avançaram mais longe nas fases finais das Eliminatórias Asiáticas antes da classificação iraniana.


Trump x Irã: o estranho capítulo diplomático antes da desistência

O episódio ganhou contornos diplomáticos inusitados nas horas que antecederam o comunicado iraniano. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, divulgou nas redes sociais que Donald Trump havia declarado que a seleção do Irã era “obviamente bem-vinda” para jogar a Copa nos Estados Unidos — uma sinalização incomum em meio a um conflito armado entre os dois países.

A resposta do governo iraniano, no entanto, veio rápida e em sentido contrário: participar de um torneio sediado pelo mesmo país que, segundo Teerã, assassinou seu líder e impôs guerras ao seu povo está fora de cogitação.