Festival de gols no Candangão
Quando o árbitro apitou o final da partida no último sábado (7), o placar de 5 a 4 para o Paranoá sobre o Real Brasília já estava gravado como um dos jogos mais eletrizantes da sexta rodada do Campeonato Brasiliense 2026. Nove gols, viradas, contra-ataques furiosos e aquele clima de “quem faz o próximo vence” que deixa qualquer torcedor de pé do início ao fim.
O duelo tinha tudo para ser tenso e truncado. Afinal, ambas as equipes entraram em campo com a mesma missão desesperadora: vencer para respirar longe da zona de rebaixamento à Série B do Candangão. Mas o que se viu foi o oposto: um espetáculo ofensivo que lembrou os velhos tempos do futebol raiz, quando as defesas davam espaço e o ataque mandava no jogo.
Paranoá abre o placar e mostra as garras
Logo nos primeiros minutos, o Paranoá mostrou que não estava para brincadeira. Com uma marcação alta e pressionando a saída de bola do Real Brasília, a equipe conseguiu abrir o placar ainda no começo da primeira etapa. O gol saiu dos pés do atacante João Carlos, que aproveitou rebote do goleiro adversário após finalização de fora da área e, de carrinho, empurrou para as redes.
A vantagem deu confiança ao time do Paranoá, que começou a controlar as ações e criar chances. Mas o Real Brasília, acostumado a lutar na parte de baixo da tabela e com uma torcida fiel que não abandona o time mesmo nos momentos difíceis, reagiu rápido. Aos 18 minutos, Marquinhos aproveitou cruzamento na medida vindo da esquerda e cabeceou firme para empatar: 1 a 1.
A montanha-russa emocional
O primeiro tempo mal tinha chegado à metade e o jogo já entregava o que prometia: emoção pura. O Paranoá não se abalou com o empate e voltou a ficar na frente aos 27 minutos, quando Léo Mineiro recebeu lançamento nas costas da defesa, dominou com categoria e bateu no canto esquerdo do goleiro: 2 a 1.
Mas se você achava que o Real Brasília ia baixar a cabeça, errou feio. A equipe empatou novamente cinco minutos depois, em jogada ensaiada de escanteio. Zagueiro Rodrigão subiu sozinho na área e testou para o fundo das redes: 2 a 2. O intervalo veio com as duas torcidas em êxtase e com aquela certeza de que o segundo tempo seria ainda mais louco.
Segundo tempo: ninguém queria saber de defesa
Se o primeiro tempo foi agitado, o segundo foi simplesmente insano. Logo aos 3 minutos, o Paranoá fez o terceiro gol. Willian, meio-campista que vinha sendo um dos destaques da equipe na temporada, recebeu pela direita, driblou o marcador e bateu cruzado, sem chances para o goleiro: 3 a 2.
A vantagem durou pouco. Aos 12, o Real Brasília chegou ao empate mais uma vez. Dessa vez, foi Léo Santos que finalizou de primeira após cruzamento rasteiro da direita: 3 a 3. Três empates no mesmo jogo! A essa altura, ninguém mais sabia se ria ou chorava nas arquibancadas.
O Candangão já viu muitos jogos emocionantes ao longo de suas décadas de história. O campeonato, que reúne as principais equipes do Distrito Federal, é conhecido por revelar talentos e proporcionar confrontos acirrados, especialmente quando envolve times lutando contra o rebaixamento. E aquele sábado estava entrando para a galeria dos clássicos improváveis.
A reta final e a definição dramática
Com o placar em 3 a 3 e o cronômetro avançando, ambos os times sabiam que um ponto seria pouco. Foi quando o Paranoá decidiu apertar o acelerador de vez. Aos 31 minutos, após jogada trabalhada no meio-campo, a bola chegou nos pés de Júnior Baiano, que arriscou de longe e acertou um golaço no ângulo: 4 a 3. A torcida do Paranoá explodiu.
O Real Brasília se lançou ao ataque desesperadamente. E pasmem: conseguiu empatar novamente! Aos 38, em lance de pura insistência, Bruno Henrique desviou cruzamento da esquerda e a bola morreu no fundo da rede: 4 a 4. Quarto empate! Parecia que o jogo estava destinado a acabar empatado.
Mas o futebol é imprevisível. Nos acréscimos, quando todos já esperavam o apito final, o Paranoá conseguiu um último contra-ataque fulminante. Léo Mineiro, que já tinha marcado no primeiro tempo, recebeu lançamento pela esquerda, ganhou na corrida do zagueiro e tocou na saída do goleiro para fazer 5 a 4. Foi o gol da vitória, o nono da partida, aquele que faz o estádio vir abaixo.
Respiro na luta contra o rebaixamento
Com a vitória heróica, o Paranoá chegou aos 8 pontos e se afastou momentaneamente da zona de rebaixamento do Candangão. A equipe pulou para a 8ª posição e ganhou fôlego para as próximas rodadas. Já o Real Brasília segue na lanterna, com apenas 3 pontos, e vê a situação se complicar ainda mais na briga para permanecer na elite do futebol candango.
O técnico do Paranoá, Marcelo Ribeiro, celebrou a atuação ofensiva do time, mas admitiu que a defesa precisa melhorar: “Fizemos cinco gols, mas tomamos quatro. Vencer é fundamental, mas precisamos encontrar mais equilíbrio. De qualquer forma, a entrega dos jogadores foi fantástica”.
Já o treinador do Real Brasília, Fernando Costa, lamentou o resultado, mas exaltou a luta da equipe: “Empatamos quatro vezes e tivemos personalidade. O gol nos acréscimos nos tirou um ponto importante. Mas vamos seguir trabalhando, a temporada é longa”.
Candangão segue fervendo
O Campeonato Brasiliense de 2026 continua surpreendendo. Com jogos eletrizantes como este, o torneio reafirma sua importância no calendário do futebol local e mostra que, quando o coração está em jogo, não há placar previsível.
O Paranoá volta a campo na próxima rodada enfrentando o Ceilândia, enquanto o Real Brasília terá pela frente o desafio de encarar o Gama, em mais um confronto direto pela fuga do rebaixamento. A torcida brasiliense já pode ir preparando o coração: se depender do que vimos até agora, emoção é o que não vai faltar.





