Governo do DF ignorou alertas do MP ao manter negociacao para comprar Banco Master, indicam documentos

fevereiro 24, 2026

O governo do Distrito Federal ignorou recomendações de cautela do Ministério Público Federal ao dar continuidade às negociações da compra de boa parte do Banco Master em 2025, indicam documentos obtidos pela TV Globo.

Em agosto, o MPF enviou uma recomendação ao gobierno distrital indicando uma série de ressalvas sobre a transação. Para os procuradores, a responsabilidade de comprovar a lisura do negócio cabe às instituições envolvidas.

Portanto, a aquisição não pode ser concretizada enquanto não houver demonstração da fidedignidade e lisura dos ativos que compõem todo o perímetro da operação, assegurando-se que os recursos públicos não sejam utilizados para absorver passivos ocultos ou ativos sobrevalorizados, diz o documento.

## Alerta do Ministério Público

Na prática, o MPF estava recomendando que o BRB se certificasse de que os valores anunciados pelo Banco Master eram sólidos. Ou seja: que não havia risco de comprar gato por lebre.

Meses depois, a operação Compliance Zero da Polícia Federal revelou, justamente, indícios de que boa parte dos ativos do Banco Master foi inflada nos balanços através de operações fraudulentas. Os inquéritos seguem em andamento.

O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB ainda em 2025. O banco distrital corre agora contra o tempo para melhorar sua situação patrimonial, abalada pelas transações malsucedidas com o Master.

## Novo inquérito da PF

A recomendação do MPF também alerta sobre a responsabilidade dos gestores envolvidos na negociação que se desenhava à época. O documento destaca que a insistência dos gestores na conclusão do negócio nas atuais condições pode evidenciar a configuração da responsabilidade subjetiva dos gestores.

Por fim, o Ministério Público recomenda que antes de concluir a operação de aquisição do Banco Master, seja comprovada, por meio de apuração detalhada e documentação idônea, a fidedignidade, a efetiva existência e a correta valoração de todos os ativos, passivos e operações incluídos no perímetro da operação.

## Resposta do BRB

Em resposta a essa recomendação, o Banco de Brasília enviou um pedido de reconsideração ao MPF e disse que tinha tomado medidas adicionais para garantir a segurança da transação.

Segundo o BRB, sem o aval que estavam pedindo ao Banco Central, o banco não tinha como acessar as informações internas do Master para verificar se, de fato, havia consistência nos balanços.

O documento foi assinado pelo então Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa e pelo ex-diretor jurídico, Jacques Veloso.

Paulo Henrique foi afastado do BRB pela Justiça na operação Compliance Zero e demitido por Ibaneis em seguida, ainda em novembro. Já Jacques Veloso renunciou à diretoria jurídica no início deste mês.